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10/11/2012
Evitar desperdícios
Temos que evitar o secundário e supérfluo para todos termos o necessário e útil.
09/07/2012
Plagiando, Bertolt Brecht
Primeiro foram ao bolso dos funcionários públicos,
Mas eu não me importei
Porque não era funcionário público.
Em seguida foram ao bolso dos operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
... Depois descartaram-se dos sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns médicos, magistrados e forças de segurança,
mas como nunca fui magistrado, nem médico, nem polícia
também não liguei.
Agora foram ao meu bolso
E quando percebi,
Já era tarde.
Plagiando, Bertolt Brecht´
Mas eu não me importei
Porque não era funcionário público.
Em seguida foram ao bolso dos operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
... Depois descartaram-se dos sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns médicos, magistrados e forças de segurança,
mas como nunca fui magistrado, nem médico, nem polícia
também não liguei.
Agora foram ao meu bolso
E quando percebi,
Já era tarde.
Plagiando, Bertolt Brecht´
João Baptista Vasconcelos Magalhães
25/06/2012
UM SEMESTRE BASTOU PARA FURAR AS CONTAS AO NUNO...!
«Para que todos meditem…esta é uma realidade muito presente na nossa sociedade, e em especial da nossa geração. INFELIZMENTE! Muitos dos nossos filhos irão ficar bastante mal com a nossa ausência …será o fim do sonho de abundância que ficticiamente a CEE e particularmente a Zona Euro, através da banca, induziu na sociedade liberal que criou.O problema é que Portugal está cheio de Nunos destes...Todos nós conhecemos alguns...
UM SEMESTRE BASTOU PARA FURAR AS CONTAS AO NUNO...!
Nuno vivia com o pai, reformado da Tabaqueira. Abandonou no 2º ano o curso de Química após a morte da mãe, professora reformada. Foi trabalhar para os serviços externos num laboratório de análises clínicas, ganhando 650 euros.
Viviam numa vivenda alugada pelos pais por 450 euros no Algueirão e o pai tinha de reforma, já com o complemento da mãe, 1800 euros mensais. Nuno não pagava nada em casa. Os gastos da casa em alimentação, energia, agua, áudio-visual, limpeza e tratamento de roupa eram suportados voluntariamente pelo pai.
A totalidade dos 650 euros do seu salário estava destinada às suas despesas extras mensais: almoços (200 euros), carro e gasolina (120 euros), telemóvel e internet (30 euros), tabaco e café (75 euros), futebol (50 euros), bares, discotecas, festas e concertos (120 euros).
Nuno teve uma infância feliz. Apesar dos pais não serem ricos, proporcionaram-lhe condições de vida da chamada classe média, quer nos estudos e nas férias, quer na mesada para os gastos.
Foi assim na infância, na adolescência e até aos 28 anos de idade. Mas o pai faleceu em Outubro do ano passado com um ataque cardíaco.
O pai tinha algumas poupanças e o Nuno após o funeral comprou um Fiat Brava Novinho em folha e foi 2 semanas com a namorada para umas férias de sonho, bem merecidas, para a República Dominicana. Quando regressaram, Lina, a namorada, de 24 anos e a tirar o curso de relações internacionais, mudou-se com armas e bagagens para a vivenda do Algueirão!
Em Janeiro passado a senhoria informou-o da actualização da renda que tinha de passar para os 600 euros e o Nuno teve de ir alugar uma casa de 2 quartos num 3 andar de um prédio modesto no casal de Sº. Brás por 300 euros e levar consigo a namorada! Em Março para além da renda, tinha na caixa do correio a facturas da luz com 80 euros, da água com 17 euros, do gás com 12 euros e 42 euros da TV Cabo.
Nunca lhe tinha passado pela cabeça que estes serviços eram pagos...ai que saudades ele tem daquelas meias horas debaixo do chuveiro, na casa do pai, com água bem quentinha!
Prestes a fazer 29 anos e com a memória ainda cheia de 28 anos de boa vida, que se diga de passagem que já ninguém lhe tira, o Nuno é confrontado pela primeira vez na sua vida que no dia 23 de Março, quando ainda faltavam 7 dias para o final do mês, não tinha dinheiro suficiente nem para a gasolina nem para comer. Nem queria acreditar, até chegou a admitir que tinha sido vítima de algum roubo.
A escassez e a falta de dinheiro, e a boa vida a esfumar-se, originou as discussões na união quase de facto. A Lina, teve de optar entre o confortável quarto da casa da mãe com toda a assistência incluída ou a vida abarracada que lhe proporcionava o namorado. Claro que grande parva que ela era se ficasse a viver numa casa onde a única coisa abundante no frigorífico era o gelo!
Nuno fica sozinho e começa a meditar..."como era possível viver sem fumar (10 maços por mês), sem beber café (60 cafés por mês), sem ir de carro para o trabalho (60 litros por mês), sem ir ao futebol (2 vezes por mês), sem internet e sem telemóvel, sem TV Cabo, sem ir beber umas bejekas para o "bairro" às sextas-feiras?
Como podia passar a vida a ver como consegue esticar os 650 euros de salário só para o aluguer de casa, alimentação, agua, gás e luz? Ainda por cima a ter de fazer as contas à vida sempre que vai ao supermercado adquirir os alimentos... que saudades tem daquela cataplana de marisco que o pai fazia soberbamente!
A poupança que os pais fizeram tão zelosamente foi-se... a espaçosa casa com jardim foi-se... o orçamento familiar suportado com a razoável reforma do pai foi-se... A namorada foi-se... longe de isso lhe equilibrar as contas, limita-se a adiar o agravamento das dívidas!
Como num semestre a vida do Nuno ficou esburacada pela realidade da vida! Nuno não é duma geração rasca. A vida actual da sua geração é que o enrascou!»
retirado daqui
12/11/2011
12/07/2011
A crise e os sábios

Transcrição de «conto» recebido por e-mail do amigo ARS
Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorros-quentes.
Não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia os melhores cachorros-quentes da região.
Preocupava-se com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.
As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e as melhores salsichas.
Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses.
O negócio prosperava...
Os seus cachorros-quentes eram os melhores!
Com o dinheiro que ganhou conseguiu pagar uma boa escola ao filho.
O miúdo cresceu e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país.
Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo cachorros-quentes feitos com os melhores ingredientes e gastando dinheiro em cartazes, e teve uma séria conversa com o pai:
- Pai, não ouve rádio? Não vê televisão? Não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso País é crítica. Há que economizar!
Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou: Bem, se o meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, então só pode ter razão!
Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e, é claro, pior).
Começou a comprar salsichas mais baratas (que eram, também, piores).
Para economizar, deixou de mandar fazer cartazes para colocar na estrada.
Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.
Tomadas essas 'providências', as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo até chegarem a níveis insuportáveis.
O negócio de cachorros-quentes do homem, que antes gerava recursos... faliu.
O pai, triste, disse ao filho: - Estavas certo filho, nós estamos no meio de uma grande crise.
E comentou com os amigos, orgulhoso: - 'Bendita a hora em que pus o meu filho a estudar economia, ele é que me avisou da crise...'
O texto original foi publicado em 24 de Fevereiro de 1958 num anúncio da Quaker State Metals Co
NOTA DE ORIGEM: vivemos num mundo contaminado por más notícias e, se não tomarmos o devido cuidado, elas influenciar-nos-ão ao ponto de nos roubarem a prosperidade.
NOTA FINAL: Vejam qual é o papel importante dos economistas!!! Por cá o Cavaco Silva também se gaba de, há mais de quatro anos, ter previsto a crise. E ela acabou por chegar!!!
Também José Manuel Durão Barroso diz que o contágio da crise à Itália «não é uma surpresa total»!!!
Pensem bem nisto e na conclusão que está na NOTA de origem que vinha no e-mail que trouxe este conto. Os economistas e outros sábios servem para nos alertar do mal que eles causam. Não o sabem evitar nem curar….
Precisamos de mais arautos da desgraça???
Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorros-quentes.
Não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia os melhores cachorros-quentes da região.
Preocupava-se com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.
As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e as melhores salsichas.
Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses.
O negócio prosperava...
Os seus cachorros-quentes eram os melhores!
Com o dinheiro que ganhou conseguiu pagar uma boa escola ao filho.
O miúdo cresceu e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país.
Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo cachorros-quentes feitos com os melhores ingredientes e gastando dinheiro em cartazes, e teve uma séria conversa com o pai:
- Pai, não ouve rádio? Não vê televisão? Não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso País é crítica. Há que economizar!
Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou: Bem, se o meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, então só pode ter razão!
Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e, é claro, pior).
Começou a comprar salsichas mais baratas (que eram, também, piores).
Para economizar, deixou de mandar fazer cartazes para colocar na estrada.
Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.
Tomadas essas 'providências', as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo até chegarem a níveis insuportáveis.
O negócio de cachorros-quentes do homem, que antes gerava recursos... faliu.
O pai, triste, disse ao filho: - Estavas certo filho, nós estamos no meio de uma grande crise.
E comentou com os amigos, orgulhoso: - 'Bendita a hora em que pus o meu filho a estudar economia, ele é que me avisou da crise...'
O texto original foi publicado em 24 de Fevereiro de 1958 num anúncio da Quaker State Metals Co
NOTA DE ORIGEM: vivemos num mundo contaminado por más notícias e, se não tomarmos o devido cuidado, elas influenciar-nos-ão ao ponto de nos roubarem a prosperidade.
NOTA FINAL: Vejam qual é o papel importante dos economistas!!! Por cá o Cavaco Silva também se gaba de, há mais de quatro anos, ter previsto a crise. E ela acabou por chegar!!!
Também José Manuel Durão Barroso diz que o contágio da crise à Itália «não é uma surpresa total»!!!
Pensem bem nisto e na conclusão que está na NOTA de origem que vinha no e-mail que trouxe este conto. Os economistas e outros sábios servem para nos alertar do mal que eles causam. Não o sabem evitar nem curar….
Precisamos de mais arautos da desgraça???
Imagem do Google
Crise, história e mudanças

Aproveito, com alguns retoques, um comentário colocado aqui há dias num artigo que faz pensar na actual situação da Europa, que muitos dizem estar em decadência. Realmente, na vida real do Planeta, tudo tem evoluído de forma sinusoidal, com subidas e descidas, conforma a Natureza e a sucessão das quatro estações do ano. Neste momento estamos em baixo e, para tentar recuperar, será necessário não cometer erros na defesa do futuro do Continente. Mas não se vislumbram políticos com competência e dedicação à causa colectiva em grau que garanta um futuro saudável para os europeus. Vários pensadores o têm afirmado de entre os quais se pode citar o ex-PR Mário Soares.
No princípio da história o poder estava na Ásia, com a China, e o seu Império do Meio a ditar as modas. Mas este império que deixou muitos sinais do elevado grau da sua cultura e ciência perdeu poder, apesar da Grande Muralha construída na dinastia Quin (221-207aC), esteve dominado pela Mongólia nos séculos XIII e XIV, sofreu mais tarde a guerra do ópio e, recentemente, foi invadida pelo Japão, estando agora, depois de poucas décadas de acentuado progresso, a recuperar o seu poder de antanho.
Entretanto, na Europa, os gregos e os romanos atingiram um grau de cultura que impulsionou toda a Europa, mesmo depois da queda do Império Romano. Há seis séculos a Europa, seguindo os descobrimentos dos portugueses, iniciou a primeira globalização, embora com o aspecto negativo dado à colonização que, em vez da prometida difusão da cultura e da religião, se dedicou mais à exploração das riquezas locais (especiarias, ouro e outras).
Na Europa houve um acontecimento, a Revolução Francesa, que embora prometedor, não ocorreu com a maior eficiência e coerência e pecou por erros graves e com más implicações no futuro. Do seu lema de três palavras, uma a Fraternidade, é incontestável e decalcada na mensagem de Cristo, mas as outras , Liberdade e Igualdade, eram contraditórias e mutuamente adversas. Se há liberdade cada um gere a sua vida segundo os seus genes e a sua formação ética e cultural, não podendo daí resultar Igualdade. Para que esta exista, tem que haver autoridade que a imponha, disciplina militar com uniforme, ou moda imposta, o que não deixa lugar para liberdade. Pode dizer-se que se pretendia «igualdade de oportunidades», mas um lema, uma palavra de ordem, não pode exigir um manual do utilizador e este não é lido. E, por isso falhou. A liberdade foi para a libertinagem. E a Igualdade levou a que a guilhotina acabasse com os diferentes. Na mesma altura e com troca de experiências entre os contemporâneos, houve a revolução Americana que não usou o mesmo lema mas valorizou a pessoa e a iniciativa individual, como fonte de inovação, criatividade e via para o progresso. Os resultados diferentes viram-se nos séculos seguintes.
Da colonização nascida da expansão da Europa pela mão dos descobrimentos portugueses nasceu no fim do século XVIII na América aquele Estado que viria a tornar-se a maior potência económica e militar do Mundo. Por seu lado, a Europa iniciou o seu declínio, que não soube gerir de forma a recuperar a grandeza de outrora, e que pecou com as desmedidas ambições napoleónicas e mais tarde com duas guerras mundiais fruto de ambições e rivalidades entre a Alemanha e a França e, por outro lado, a hostilidade insular da Grã-Bretanha.
Terminada a II GM, houve na Europa quem pensasse e bem que a união seria a forma de evitar o colapso, mas não houve aberta adesão e comunhão numa estratégia de futuro, e o mais grave é que não surgiu uma estratégia definida com inteligência que fizesse convergir todas as energias e recursos para um futuro comum de desenvolvimento e bem-estar para os europeus. Não houve o devido respeito por todos que se sobrepusesse às ambições paroquiais de domínio que já tinham mostrado ser nefastas. Os políticos continuaram a olhar para o seu umbigo e a tentar explorar os mais pequenos em beneficio imediato dos grandes. A decadência tem continuado por falta de uma política coerente com um objectivo bem definido e aceite por todos.
Entretanto, depois de muitos abusos em que exauriu os seus recursos, também a América está perante a sua queda, ao mesmo tempo que se levantam os Estados Emergentes em que a China, a Índia e o Brasil se preparam para desempenhar os principais papéis.
Nestas condições, a Europa tem que gerir com muita prudência e determinação a sua marcha pela sobrevivência, definindo claramente e com realismo aquilo que pretende ser na nova ambiência internacional, sem complexos de qualquer espécie, mas com a preocupação de acertar em todas as suas decisões e gerir com prudência as suas relações com os gestores multinacionais do sistema financeiro, tendo sempre presente os próprios interesses de longo prazo. Há que parar de olhar para o próprio umbigo com arrogância e ambição despropositadas. Há que aproveitar as realidades internacionais actuais e controlar o barco da forma mais adequada para evitar um grande naufrágio e conseguir um futuro adequado.
Para isso, precisamos de políticos dedicados à causa pública que usem de competência e boa intenção e sem obedecerem à partidocracia que, erradamente, sucedeu á Democracia.
No princípio da história o poder estava na Ásia, com a China, e o seu Império do Meio a ditar as modas. Mas este império que deixou muitos sinais do elevado grau da sua cultura e ciência perdeu poder, apesar da Grande Muralha construída na dinastia Quin (221-207aC), esteve dominado pela Mongólia nos séculos XIII e XIV, sofreu mais tarde a guerra do ópio e, recentemente, foi invadida pelo Japão, estando agora, depois de poucas décadas de acentuado progresso, a recuperar o seu poder de antanho.
Entretanto, na Europa, os gregos e os romanos atingiram um grau de cultura que impulsionou toda a Europa, mesmo depois da queda do Império Romano. Há seis séculos a Europa, seguindo os descobrimentos dos portugueses, iniciou a primeira globalização, embora com o aspecto negativo dado à colonização que, em vez da prometida difusão da cultura e da religião, se dedicou mais à exploração das riquezas locais (especiarias, ouro e outras).
Na Europa houve um acontecimento, a Revolução Francesa, que embora prometedor, não ocorreu com a maior eficiência e coerência e pecou por erros graves e com más implicações no futuro. Do seu lema de três palavras, uma a Fraternidade, é incontestável e decalcada na mensagem de Cristo, mas as outras , Liberdade e Igualdade, eram contraditórias e mutuamente adversas. Se há liberdade cada um gere a sua vida segundo os seus genes e a sua formação ética e cultural, não podendo daí resultar Igualdade. Para que esta exista, tem que haver autoridade que a imponha, disciplina militar com uniforme, ou moda imposta, o que não deixa lugar para liberdade. Pode dizer-se que se pretendia «igualdade de oportunidades», mas um lema, uma palavra de ordem, não pode exigir um manual do utilizador e este não é lido. E, por isso falhou. A liberdade foi para a libertinagem. E a Igualdade levou a que a guilhotina acabasse com os diferentes. Na mesma altura e com troca de experiências entre os contemporâneos, houve a revolução Americana que não usou o mesmo lema mas valorizou a pessoa e a iniciativa individual, como fonte de inovação, criatividade e via para o progresso. Os resultados diferentes viram-se nos séculos seguintes.
Da colonização nascida da expansão da Europa pela mão dos descobrimentos portugueses nasceu no fim do século XVIII na América aquele Estado que viria a tornar-se a maior potência económica e militar do Mundo. Por seu lado, a Europa iniciou o seu declínio, que não soube gerir de forma a recuperar a grandeza de outrora, e que pecou com as desmedidas ambições napoleónicas e mais tarde com duas guerras mundiais fruto de ambições e rivalidades entre a Alemanha e a França e, por outro lado, a hostilidade insular da Grã-Bretanha.
Terminada a II GM, houve na Europa quem pensasse e bem que a união seria a forma de evitar o colapso, mas não houve aberta adesão e comunhão numa estratégia de futuro, e o mais grave é que não surgiu uma estratégia definida com inteligência que fizesse convergir todas as energias e recursos para um futuro comum de desenvolvimento e bem-estar para os europeus. Não houve o devido respeito por todos que se sobrepusesse às ambições paroquiais de domínio que já tinham mostrado ser nefastas. Os políticos continuaram a olhar para o seu umbigo e a tentar explorar os mais pequenos em beneficio imediato dos grandes. A decadência tem continuado por falta de uma política coerente com um objectivo bem definido e aceite por todos.
Entretanto, depois de muitos abusos em que exauriu os seus recursos, também a América está perante a sua queda, ao mesmo tempo que se levantam os Estados Emergentes em que a China, a Índia e o Brasil se preparam para desempenhar os principais papéis.
Nestas condições, a Europa tem que gerir com muita prudência e determinação a sua marcha pela sobrevivência, definindo claramente e com realismo aquilo que pretende ser na nova ambiência internacional, sem complexos de qualquer espécie, mas com a preocupação de acertar em todas as suas decisões e gerir com prudência as suas relações com os gestores multinacionais do sistema financeiro, tendo sempre presente os próprios interesses de longo prazo. Há que parar de olhar para o próprio umbigo com arrogância e ambição despropositadas. Há que aproveitar as realidades internacionais actuais e controlar o barco da forma mais adequada para evitar um grande naufrágio e conseguir um futuro adequado.
Para isso, precisamos de políticos dedicados à causa pública que usem de competência e boa intenção e sem obedecerem à partidocracia que, erradamente, sucedeu á Democracia.
Imagem do Google
01/03/2011
Mais um «abafador»

Houve um que abafou gravadores dos jornalistas em «acção directa» de que se gabou. Mas agora aparece outro mais perigoso que não parece hesitar em nos abafar até ao último suspiro, com as chamadas medidas de austeridade, para compensar as despesas inúteis e injustificadas de que muito aqui se tem escrito
Em vez da redução das despesas muito referidas aqui, por diversas vezes, «Sócrates admite mais austeridade para atingir défice de 4,6% este ano». Esta teimosia insensata, sem olhar aos verdadeiros problemas da administração com as despesas pornográficas que apenas servem para beneficiar amigos do clã, sem ter em consideração o fosso entre os ricos e os pobres, a injustiça social, as carências de muitas famílias que se afundam na penúria, felizmente está a despertar as reacções da oposição e não tardará a ter também a manifestação do povo na rua, o que devia ser evitado com acção correcta na eliminação das causas do descontentamento.
Não é por acaso que surgem estas reacções oportunas e patrióticas da oposição descomprometida dos conluios da exploração:
Imagem do Google
05/02/2011
Para sair da crise - 3
O importante não são as empresas; importantes são as pessoas que deviam ser servidas por essas empresas.Marco António Costa
A fome não se mata com balas, não se combate a tiro.
Incógnito
Augusto Santos Silva, MDN
Enfrentar as causas da dor e usar os tratamentos adequados, mesmo que temporariamente dolorosos.
Augusto Santos Silva, MDN
01/02/2011
Para sair da crise - 2
01/01/2011
Aprender com a crise

Transcrição de artigo didáctico, que reitera um conselho seguido pelos desportistas. É preciso suar para fazer músculo, é preciso fazer sacrifício para aprender, as dificuldades dão ensinamentos, experiência.
RR.pt. 31-12-2010 08:30. Por Aura Miguel
Sabem qual é o nosso problema? É que não gostamos de sacrifícios. Achamos que a vida só é boa quando não há contrariedades, quando nos distraímos, quando rimos com os amigos ou fazemos aquilo que nos apetece. Mas que grande ilusão!...
Bem sabemos que não é assim, que não existe esperança, nem beleza, nem bondade, nem justiça, nem amor, nem relações verdadeiras sem sacrifício.
Assim, a terminar este ano, desejo, a todos, um óptimo 2011 sem ilusões. Um ano cheio de vida verdadeira, leal, fecunda, sincera. E, portanto, com sacrifícios. Por isso, provavelmente, a crise vai fazer-nos bem, porque terá o mérito de nos reconduzir às coisas verdadeiramente importantes da vida.
Se assim for, podemos vir a ser melhores pessoas e, até mesmo, finalmente, vir a mudar Portugal.
Imagem da Net
24/12/2010
Sair da crise exige esforço de todos
Não espere que o País faça tudo por si; faça o que puder. Quanto mais dificuldades tivermos mais temos que redobrar esforços, imaginação e criatividade.
Não se deve desanimar. Mas manter optimismo, porque nada é definitivo, e os momentos difíceis hão-de ser ultrapassados. Com o próprio esforço e com a solidariedade de toda a gente, melhores tempos aparecerão. Estas palavras são uma adaptação das proferidas pelo Bispo de Viana do Castelo, Anacleto Oliveira.
É necessário que cada um procure aproveitar da melhor forma as oportunidades mesmo que pequenas para melhorar a vida. Grão a grão, a galinha enche o papo.
Faço votos para que o Natal seja festejado da melhor forma e que o futuro, construído com esforço, imaginação e criatividade traga horas melhores.
Imagem do PÚBLICO
26/03/2010
Portugal diferente da Grécia
Transcrição do blog quarta república:Enorme satisfação V
Acabaram de me explicar a verdadeira diferença entre a situação de Portugal e a da Grécia:
"O Governo Grego aldrabou os gregos, os mercados e a Comissão Europeia. O Governo Português ainda só aldrabou os portugueses!"
Publicado por Vítor Reis em 25-03-10
NOTA: Esta graça confirma a afirmação de Almada Negreiros (citada de memória): "Um povo é composto de qualidades e defeitos. Coragem portugueses, já só faltam as qualidades"
06/01/2010
A crise ensina a pensar
A crise reduziu o poder de compra de muita gente principalmente das famílias flageladas pelo desemprego. Mas mesmo os que a não sentiram tão fortemente, passaram a dar mais valor ao dinheiro e a aprender a gastá-lo com regras, com conta, peso e medida. As compras devem se precedidas de raciocínios lógicos quanto à necessidade do produto, à sua utilidade, à escolha do modelo mais adequado ao uso que se lhe irá dar, ao preço e à qualidade.Há indicadores de que muita gente aprendeu a abster-se de coisas supérfluas, de imitação dos outros, de ostentação, etc.
Agora aparece o indicador da ACAP, nas notícias «Desde 1988 que não se vendiam tão poucos automóveis ligeiros em Portugal» e «Vendas a par de 1987 nos automóveis». São indicadores saudáveis que levam a que se felicitem os portugueses por estarem a ter mais juízo na sua economia doméstica.
Mas é preciso que os governantes estejam atentos e não caiam na asneira havida em relação ao BPN em que sacrificaram dinheiro dos contribuintes, para obviarem aos crimes dos administradores da empresa. A ACAP está a pressionar para serem mantidos os incentivos ao abate de veículos antigos como forma de apoiar o sector automóvel, estimulando as vendas, o que aumenta as importações e a dívida externa. Sobre este aspecto sugiro a leitura do post «Contribuintes pagam abate de carros».
A crise aconselha a manter os carros enquanto puderem funcionar com segurança e economia, o que deve ser deixado ao critério dos seus proprietários. O Estado já tem a garantia de segurança através das inspecções obrigatórias, não deve gastar o dinheiro dos impostos para fazer o jogo da ACAP. Por outro lado, a loucura do abate de carros em razoável estado de funcionamento prejudica muitas centenas de oficinas de manutenção e reparação e manda para o desemprego milhares de profissionais que nelas trabalham.
Já temos carros a mais, como se vê nos subúrbios de Lisboa nas horas de ponta, com as estradas pejadas de carros com apenas um passageiro cada. Ser-lhes-ia mais cómodo e mais económico irem para o emprego de autocarro ou comboio, pois a maior parte não utiliza o carro durante o dia.
O abate de um carro ainda utilizável devia ser penalizado e não estimulado.
16/05/2009
A crise tem potencialidades positivas

“Queremos resolver a ‘crise’ ou queremos também ‘escutar’ a crise? É que do fundo do seu drama pode estar a surgir a voz que desafia todos, pessoas e estruturas, a porem-se a caminho, mudando em favor do homem, renovando-se em nome da família humana.” Isto foi dito por D. José Policarpo, no final do simpósio “reinventar a solidariedade em tempo de crise”, organizado pela Conferência Episcopal Portuguesa, conforme noticia o Público em Cardeal-patriarca de Lisboa diz que a chamada “crise” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”.
Referiu o primado dos valores humanos sobre interesses materiais dizendo que “Foi assim com a consciência da dignidade dos trabalhadores na primeira revolução industrial” e “com o movimento de autonomia e independência dos países colonizados pela Europa, a partir da Conferência de Bandung; com o movimento de defesa dos direitos humanos...”
Sublinhou que estas “tomadas de consciência colectiva” são “dinâmicas, progressivas, atingem massas humanas cada vez mais numerosas e são irreversíveis nos seus efeitos de mudança da história”.
Alertou que, “a partir de certo momento, as ‘ideologias’, os mecanismos políticos e os sistemas económicos implantados tentam dominá-los, chegando mesmo a neutralizar-lhes a sua força inovadora e transformadora”. Mas é preciso manter “a chama renovadora no contexto de uma nova busca da harmonia da sociedade é desafio apresentado a todas as estruturas, religiosas, políticas, sociais”.
Admite que “a situação a que toda a gente chama a ‘crise’” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”.
Disse «que ninguém queira aprisionar a história, em nome de ideologias, de interesses vários, de sistemas implantados. A humanidade grita por novas harmonias, que exigirão caminhos novos de governo da humanidade, caminhos de autêntico progresso humano». É preciso “pôr a pessoa humana, na sua dignidade, como prioridade absoluta da organização da sociedade.”
Referiu o primado dos valores humanos sobre interesses materiais dizendo que “Foi assim com a consciência da dignidade dos trabalhadores na primeira revolução industrial” e “com o movimento de autonomia e independência dos países colonizados pela Europa, a partir da Conferência de Bandung; com o movimento de defesa dos direitos humanos...”
Sublinhou que estas “tomadas de consciência colectiva” são “dinâmicas, progressivas, atingem massas humanas cada vez mais numerosas e são irreversíveis nos seus efeitos de mudança da história”.
Alertou que, “a partir de certo momento, as ‘ideologias’, os mecanismos políticos e os sistemas económicos implantados tentam dominá-los, chegando mesmo a neutralizar-lhes a sua força inovadora e transformadora”. Mas é preciso manter “a chama renovadora no contexto de uma nova busca da harmonia da sociedade é desafio apresentado a todas as estruturas, religiosas, políticas, sociais”.
Admite que “a situação a que toda a gente chama a ‘crise’” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”.
Disse «que ninguém queira aprisionar a história, em nome de ideologias, de interesses vários, de sistemas implantados. A humanidade grita por novas harmonias, que exigirão caminhos novos de governo da humanidade, caminhos de autêntico progresso humano». É preciso “pôr a pessoa humana, na sua dignidade, como prioridade absoluta da organização da sociedade.”
13/04/2009
Crise exige medidas realistas
Foi há dias aqui publicado um post - A crise e a gestão familiar – que referia a existência de dívidas familiares de 120% dos salários em média, o que significa que, em média, são precisos 36 dias de trabalho para pagar a dívida, sem contar com as despesas desses dias. Como se fala em valores médios, é certo que deve haver casos de insolvência absoluta, isto é, situações demasiado graves.
Como a crise exige medidas realistas, as grandes empresas, principalmente as de serviços, estão a encarar com eficiência, do seu ponto de vista, a sua saída da crise e não param de intensificar a apetência para o consumo. É raro o dia em que o telefone não toca com alguém a querer impingir uma «boa oportunidade» de uma promoção vantajosa, etc. Perante isso, cada cidadão não pode deixar de pensar na sensata gestão dos seus reais interesses, governando a sua vida da forma mais adequada, resistindo às múltiplas tentações que lhe são atiradas aos olhos. A crise deve ser aproveitada para acertar agulhas e passar a conduzir a economia doméstica pela melhor rota.
Mas continuam os sinais negativos com prevalência de manter as aparências, o faz-de-conta da ostentação, desviando recursos daquilo que é essencial e encaminhando-os para o secundário e supérfluo. O artigo Crianças mal alimentadas mas com ténis de marca conta-nos que o hospital Amadora-Sintra começou a identificar há ano e meio as condições em que aparecem muitas crianças com fome, graves carências alimentares e falta de higiene originadas pela crise, mas que não deixam de usar vestuário e calçado de marca.
Entretanto o Bispo do Porto diz que o trabalho é condição indispensável para a realização pessoal. Segundo ele, "aceder ao trabalho, além de necessário para ganhar o sustento, é condição indispensável para a realização de cada ser humano".
É certo que a oferta de emprego é escassa, o desemprego é uma das piores ameaças da crise, mas existem alguns pedidos de trabalhadores e não surgem interessados em aceitar, por preferirem viver do subsídio de desemprego. Conforme diz o Bispo, o trabalho tem o efeito material mas também o benefício psíquico de a pessoa se considerar útil e com importância na sociedade. E o trabalho pode, em muitos casos, ser feito por contra própria, procurando um nicho do mercado, uma necessidade de um serviço que trará compensação. «Trabalhar para aquecer» não é trabalho, é desporto. Trabalho é «um esforço penoso para produzir bens» e que, por isso, é recompensado. Há muitas pequenas coisas que necessitam quem as faça e dão remuneração. Para lá chegar, basta muitas vezes estar atento, olhar á volta, ter vontade de trabalhar e dedicação pela execução da tarefa. Essas qualidades e a criatividade são as ferramentas que levam os imigrantes a encontrar meios de subsistência, muitas vezes de forma folgada. Estão ao alcance de qualquer um.
Como a crise exige medidas realistas, as grandes empresas, principalmente as de serviços, estão a encarar com eficiência, do seu ponto de vista, a sua saída da crise e não param de intensificar a apetência para o consumo. É raro o dia em que o telefone não toca com alguém a querer impingir uma «boa oportunidade» de uma promoção vantajosa, etc. Perante isso, cada cidadão não pode deixar de pensar na sensata gestão dos seus reais interesses, governando a sua vida da forma mais adequada, resistindo às múltiplas tentações que lhe são atiradas aos olhos. A crise deve ser aproveitada para acertar agulhas e passar a conduzir a economia doméstica pela melhor rota.
Mas continuam os sinais negativos com prevalência de manter as aparências, o faz-de-conta da ostentação, desviando recursos daquilo que é essencial e encaminhando-os para o secundário e supérfluo. O artigo Crianças mal alimentadas mas com ténis de marca conta-nos que o hospital Amadora-Sintra começou a identificar há ano e meio as condições em que aparecem muitas crianças com fome, graves carências alimentares e falta de higiene originadas pela crise, mas que não deixam de usar vestuário e calçado de marca.
Entretanto o Bispo do Porto diz que o trabalho é condição indispensável para a realização pessoal. Segundo ele, "aceder ao trabalho, além de necessário para ganhar o sustento, é condição indispensável para a realização de cada ser humano".
É certo que a oferta de emprego é escassa, o desemprego é uma das piores ameaças da crise, mas existem alguns pedidos de trabalhadores e não surgem interessados em aceitar, por preferirem viver do subsídio de desemprego. Conforme diz o Bispo, o trabalho tem o efeito material mas também o benefício psíquico de a pessoa se considerar útil e com importância na sociedade. E o trabalho pode, em muitos casos, ser feito por contra própria, procurando um nicho do mercado, uma necessidade de um serviço que trará compensação. «Trabalhar para aquecer» não é trabalho, é desporto. Trabalho é «um esforço penoso para produzir bens» e que, por isso, é recompensado. Há muitas pequenas coisas que necessitam quem as faça e dão remuneração. Para lá chegar, basta muitas vezes estar atento, olhar á volta, ter vontade de trabalhar e dedicação pela execução da tarefa. Essas qualidades e a criatividade são as ferramentas que levam os imigrantes a encontrar meios de subsistência, muitas vezes de forma folgada. Estão ao alcance de qualquer um.
08/04/2009
A crise e a gestão familiar
Segundo notícia do Público de hoje, o governador do Banco de Portugal afirmou hoje que a dívida das famílias portuguesas à banca atingiu no ano passado os 120 por cento do rendimento disponível. Esta cifra é ligeiramente inferior aos 129 por cento registados no ano anterior.
Este indicador indicia que a crise, somada ao agravamento do desemprego, deve estar a pesar na capacidade de endividamento das famílias que, no conjunto, ainda gastam mais do que recebem ao final do mês.
Isto mostra que as pessoas estão a aprender a gerir a sua vida e a evitar exageros de ostentação, mas muito devagar. Os bancos acabam por se ver com o problema do crédito mal parado, mas eles próprios estão na origem do fenómeno, com a oferta agressiva de créditos para tudo e nada indo até às férias a crédito e a outros consumos supérfluos de mera ostentação.
As grandes empresas, principalmente as de serviços, estão a intensificar a apetência para o consumo. É raro o dia em que o telefone não toca com alguém a querer impingir uma «boa oportunidade» de um a promoção vantajosa, etc. A resposta que dou é mais ou menos esta: «Não estou interessado, a senhora não está a querer dar-me benefício mas apenas a aumentar os lucros da empresa que lhe paga, à custa do meu dinheiro.» Aceitar a oferta de um iate por metade do preço pode não ser um bom negócio. O mesmo se passa com um Ferrari ou outro caro de alto luxo, quando nós precisamos de um simples Fiat 600 (não cito um modelo actual para não fazer publicidade).
Temos que saber gerir a nossa vida da forma mais adequada, perante as múltiplas tentações. A crise deve ser aproveitada para acertar agulhas e passar a conduzir a economia doméstica pela melhor rota.
Este indicador indicia que a crise, somada ao agravamento do desemprego, deve estar a pesar na capacidade de endividamento das famílias que, no conjunto, ainda gastam mais do que recebem ao final do mês.
Isto mostra que as pessoas estão a aprender a gerir a sua vida e a evitar exageros de ostentação, mas muito devagar. Os bancos acabam por se ver com o problema do crédito mal parado, mas eles próprios estão na origem do fenómeno, com a oferta agressiva de créditos para tudo e nada indo até às férias a crédito e a outros consumos supérfluos de mera ostentação.
As grandes empresas, principalmente as de serviços, estão a intensificar a apetência para o consumo. É raro o dia em que o telefone não toca com alguém a querer impingir uma «boa oportunidade» de um a promoção vantajosa, etc. A resposta que dou é mais ou menos esta: «Não estou interessado, a senhora não está a querer dar-me benefício mas apenas a aumentar os lucros da empresa que lhe paga, à custa do meu dinheiro.» Aceitar a oferta de um iate por metade do preço pode não ser um bom negócio. O mesmo se passa com um Ferrari ou outro caro de alto luxo, quando nós precisamos de um simples Fiat 600 (não cito um modelo actual para não fazer publicidade).
Temos que saber gerir a nossa vida da forma mais adequada, perante as múltiplas tentações. A crise deve ser aproveitada para acertar agulhas e passar a conduzir a economia doméstica pela melhor rota.
12/06/2008
Recordação de crise antiga
Transcrição de texto de Manuela recebido por e-mail, que também a mim fez recordar o racionamento do tempo da II Guerra Mundial e dos carros a gasogénio (vantagens de ser velho!)
Regresso ao passado
Hoje, tive a noção exacta do que sentiram as gerações que passaram por um racionamento em produtos de "primeiríssima" necessidade…
Lembro-me das histórias que me contavam sempre que não queria comer. Eram contadas com alguma mágoa, (para me fazerem comer), mas também com um misto de saudosismo pela solidariedade demonstrada pela vizinhança ou amigos, e nas quais entrava quase sempre uma personagem: "um rebuçado".
O "sr." rebuçado fez as minhas delícias de infância. Imaginar o meu avô com os bolsos cheios de rebuçados (1 tostão dava para vinte), no dia em ia à taberna jogar uma cartada e voltava a cavalo numa mula, fazia-me sorrir. Até mesmo rir, como no dia em que a mula se lembrou de dar pinotes e ele caiu, passando uma hora, às escuras, a "apalpar" rebuçados no carreiro de terra.
Mas… a verdade é que, naquelas histórias, o desejado "rebuçado" nunca foi comido ou "chupado", dissolvido na boca lentamente e com prazer. Antes pelo contrário, era logo"derretido", como por magia, assim que caía numa caneca de café de cevada.
Foi assim que eu descobri as virtudes ou as desvantagens do adoçante. Se o temos, abusamos dele ou, até, substituímo-lo por uma "migalha" adocicada, que me amargou na boca quando, glutona curiosa, lhe quis sentir o sabor. Se não existe, lá diz o ditado, " a necessidade é mestra", e usa-se o que se pode para, neste caso concreto, enganar a boca, ou mesmo o café.
Foi com estes pensamentos que cheguei a casa, carregada de farinha e, claro, de açúcar (não vá o diabo tecê-las), mas sem a carne e/ou o peixe nem, tão pouco, uma erva verdinha, até podia ser verde-seco, para acompanhar.
As prateleiras destas secções estavam completamente vazias. Vazias, como reza o meu dicionário, ainda sem acordo ortográfico. Não me lembro de alguma vez ter visto a imagem desoladora de um armazém despido da sua função! Mas não de área de consumo. Os "zombies", assim me pareceram as pessoas, puxando um cestinho vazio com rodas, passeavam-se com ar desolado ..(ou assustado?) pelos corredores e chegavam à menina da caixa com enlatados, arroz, massa e ovos, muitos ovos, não vão as galinhas entrar também em reivindicações.
Provavelmente não entram elas, mas os seus criadores, com a falta que sentem de rações para as alimentar, ou ainda, os galos, que a continuarem sem comer, entram em greve reprodutiva e o ciclo termina….
Assim como terminou o meu dia, com farinha, açúcar e o carro parado à porta, na reserva. As estações de serviço esgotaram às 2 da tarde.
Será desta que começo a andar de bicicleta para ir trabalhar? Não me estou a ver sobre um skate, nem sobre patins como as meninas dos hipermercados.
Consciente estou, que é mesmo necessário abandonar o vício da dependência. Já a psicologia o diz e a história recente o corrobora. Alterar modos de vida e comportamentos, será a solução.
Hoje, apeteceu-me voltar aos tempos do meu avô, retomar uma agricultura também ela sem dependência, a não ser a da Natureza, saudável e sempre pronta a devolver a atenção que se lhe dá. Recordei as minhas férias de menina, junto à ribeira a dar pedacinhos de pão aos patos, que às vezes iam parar dentro de uma caçarola de barro, para meu grande desgosto. Das couves que ajudava a cortar na horta para dar aos coelhos e que me entretinha a ver roer; do leite quente fervido, acabado de ser ordenhado e que me faziam beber, mas que eu detestava porque não estava dentro de um pacote!
Por alguma razão fiz hoje este "Regresso ao Passado 2" e não pode ter sido apenas por causa das prateleiras vazias de um supermercado e de uns quantos "zombies" caras pálidas, ou ainda, da hipótese de me ver sobre um skate para ir trabalhar.
Não, penso que a razão principal é ter tido maior consciência dos erros em que temos todos vivido….
Manuela
Regresso ao passado
Hoje, tive a noção exacta do que sentiram as gerações que passaram por um racionamento em produtos de "primeiríssima" necessidade…
Lembro-me das histórias que me contavam sempre que não queria comer. Eram contadas com alguma mágoa, (para me fazerem comer), mas também com um misto de saudosismo pela solidariedade demonstrada pela vizinhança ou amigos, e nas quais entrava quase sempre uma personagem: "um rebuçado".
O "sr." rebuçado fez as minhas delícias de infância. Imaginar o meu avô com os bolsos cheios de rebuçados (1 tostão dava para vinte), no dia em ia à taberna jogar uma cartada e voltava a cavalo numa mula, fazia-me sorrir. Até mesmo rir, como no dia em que a mula se lembrou de dar pinotes e ele caiu, passando uma hora, às escuras, a "apalpar" rebuçados no carreiro de terra.
Mas… a verdade é que, naquelas histórias, o desejado "rebuçado" nunca foi comido ou "chupado", dissolvido na boca lentamente e com prazer. Antes pelo contrário, era logo"derretido", como por magia, assim que caía numa caneca de café de cevada.
Foi assim que eu descobri as virtudes ou as desvantagens do adoçante. Se o temos, abusamos dele ou, até, substituímo-lo por uma "migalha" adocicada, que me amargou na boca quando, glutona curiosa, lhe quis sentir o sabor. Se não existe, lá diz o ditado, " a necessidade é mestra", e usa-se o que se pode para, neste caso concreto, enganar a boca, ou mesmo o café.
Foi com estes pensamentos que cheguei a casa, carregada de farinha e, claro, de açúcar (não vá o diabo tecê-las), mas sem a carne e/ou o peixe nem, tão pouco, uma erva verdinha, até podia ser verde-seco, para acompanhar.
As prateleiras destas secções estavam completamente vazias. Vazias, como reza o meu dicionário, ainda sem acordo ortográfico. Não me lembro de alguma vez ter visto a imagem desoladora de um armazém despido da sua função! Mas não de área de consumo. Os "zombies", assim me pareceram as pessoas, puxando um cestinho vazio com rodas, passeavam-se com ar desolado ..(ou assustado?) pelos corredores e chegavam à menina da caixa com enlatados, arroz, massa e ovos, muitos ovos, não vão as galinhas entrar também em reivindicações.
Provavelmente não entram elas, mas os seus criadores, com a falta que sentem de rações para as alimentar, ou ainda, os galos, que a continuarem sem comer, entram em greve reprodutiva e o ciclo termina….
Assim como terminou o meu dia, com farinha, açúcar e o carro parado à porta, na reserva. As estações de serviço esgotaram às 2 da tarde.
Será desta que começo a andar de bicicleta para ir trabalhar? Não me estou a ver sobre um skate, nem sobre patins como as meninas dos hipermercados.
Consciente estou, que é mesmo necessário abandonar o vício da dependência. Já a psicologia o diz e a história recente o corrobora. Alterar modos de vida e comportamentos, será a solução.
Hoje, apeteceu-me voltar aos tempos do meu avô, retomar uma agricultura também ela sem dependência, a não ser a da Natureza, saudável e sempre pronta a devolver a atenção que se lhe dá. Recordei as minhas férias de menina, junto à ribeira a dar pedacinhos de pão aos patos, que às vezes iam parar dentro de uma caçarola de barro, para meu grande desgosto. Das couves que ajudava a cortar na horta para dar aos coelhos e que me entretinha a ver roer; do leite quente fervido, acabado de ser ordenhado e que me faziam beber, mas que eu detestava porque não estava dentro de um pacote!
Por alguma razão fiz hoje este "Regresso ao Passado 2" e não pode ter sido apenas por causa das prateleiras vazias de um supermercado e de uns quantos "zombies" caras pálidas, ou ainda, da hipótese de me ver sobre um skate para ir trabalhar.
Não, penso que a razão principal é ter tido maior consciência dos erros em que temos todos vivido….
Manuela
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