28/10/2008

VOCÊ, TEM 5 MINUTOS HOJE?

- Boa tarde, doutor.
- Boa tarde. Sente-se.
- Não é preciso, não. Fico mesmo de pé.
- Sente-se, para eu a poder examinar.
- O doutor é que manda.
- Ora então diga-me. O que se passa?
- Ai, doutor. Dá-me uma dor de vez em quando.
- Que dor?
- Aqui, olhe. No estômago. Bem lá no fundo…
- Forte?
- Às vezes…Outras vezes é assim, de mansinho…
- E o que é que você faz?
- Às vezes eu canto. Outras vezes vou p’ra cozinha fazer um bolo.
- Tem outra dor?
- Tenho, sim, doutor. Aqui, ó, perto dos olhos…
- E essa é forte?
- Também não é muito forte. Quando ela me dá eu converso com as vizinhas e passa.
- Tem mais dores?
- Tenho sim, doutor. Aqui. Assim, no meio das costelas, parece no coração. Dá-me um aperto aqui…
- E você faz o quê?
- Às vezes eu choro. Outras vezes eu fico assim, muito quieta, p’ra ver se passa.
- E passa?
- Às vezes…Outras vezes eu vou p’ró parque. Lá sento-me num banco a ver as crianças brincar, e espero que passe.
- Você mora com alguém?
- Não, doutor, moro sozinha. Não tenho ninguém neste mundo de Deus!
- Não tem família?
- Aqui não tenho ninguém. A minha família toda emigrou, para tentar a sorte, e nunca mais soube nada de ninguém.
- E você faz o quê?
- Olhe, doutor, eu já fiz um pouco de tudo nesta vida. Já trabalhei numa firma de limpezas, já cuidei de crianças, já trabalhei numa loja de gente rica.
Agora trabalho na casa duma rapariga que mais viaja do que fica em casa. Trabalha nos aviões, e voa de dia e de noite. E aí eu fico sozinha…
- Você mora com ela?
- Moro sim, doutor. Ela deixa-me dormir num quartinho, lá no fundo da casa.
- Você sabe cozinhar?
- Claro que sim. Cozinho muito bem. Coisas mais simples, mas também comida de gente chique.
- Gosta de crianças?
- Ó doutor! São as criaturinhas mais lindas que Deus pôs no mundo. Uns anjinhos!
- Qual é o seu nome?
- Olhe, doutor, eu não gosto muito, mas para agradecer à santa, a minha madrinha pôs-me Clara.
- Dona Clara, eu sei o que a senhora tem.
- Como assim? O doutor nem me encostou um dedo…
- O que a senhora tem, dona Clara, chama-se solidão, e é a causadora de toda essa tristeza.
- E isso mata, doutor?
- Às vezes, sim. Mas, no seu caso, bastam amigos, alguns remédios e um pouco de carinho.
Dona Clara, vai parecer estranho, e nem mesmo eu entendo porque estou fazendo isto…Mas a minha esposa está grávida, e o nosso segundo filho é esperado para o mês que vem. Já temos uma menina.
Até hoje a minha esposa é que tem cuidado de tudo. Porém, com o bebé pequeno, precisamos de alguém que cuide da casa.
Que tal ficar connosco?
- Meu Deus, doutor!!! Nunca ninguém fez nada assim por mim… Vai ser muito bom ficar com vocês. E é preciso morar lá convosco, doutor?
- Sim. Temos um quarto vago, no apartamento.
Podemos tentar por uns meses…O que lhe parece?
- Doutor, é assim como ter família, não é?
- Quase…
- Doutor! Eu não vou mais ser sozinha! Meu Deus!
Que Deus lhe pague, doutor, porque carinho assim nem a minha madrinha me dava.
- Vamos testar. Combinado?
- Combinado, doutor. Mas eu preciso lhe fazer uma pergunta. Eu nunca mais vou sentir essas dores?
- Vamos combinar uma coisa. No dia em que você sentir essa dor, você procura-me.
- Para o doutor me examinar?
- Não. Para trocarmos dois dedinhos de conversa.

Não custa nada a gente "tirar" um tempinho da nossa vida e dar atenção ao próximo! Vamos reflectir sobre isso!

***oo0oo***

Mais de 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão.
A maioria dos pacientes deprimidos que não é tratada irá tentar suicídio pelo menos uma vez, e 17% deles conseguem se matar.
Com o tratamento correcto, 70 a 90% dos pacientes recuperam-se da depressão.
Aproximadamente 1/3 das pessoas com depressão não fazem tratamento, e, dos pacientes que procuram o clínico geral, apenas 50% são diagnosticados correctamente.
Segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde, a depressão é mais comum no sexo feminino, afectando de 15 a 20% das mulheres, e de 5 a 10% dos homens.

Informação recolhida na Net.

27/10/2008

Aos amigos queridos

Um jovem recém casado estava sentado num sofá num dia quente e húmido, bebericando chá gelado durante uma visita ao seu pai.

Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho.

- Nunca esqueça de seus amigos, aconselhou! Serão mais importantes na medida em que você envelhecer. Independentemente, do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de amigos. Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com eles; faça coisas com eles; telefone para eles ...

Que estranho conselho! Pensou o jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza minha esposa e a família que iniciaremos serão tudo que necessito para dar sentido à minha vida!

Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve contato com seus amigos e anualmente aumentava o número deles. Na medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava. Conforme o tempo e a natureza realizam suas mudanças e mistérios sobre um homem, amigos são baluartes de sua vida.

Passados mais de 40 anos, eis o que ele aprendeu:

O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa.
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêem.
O amor fica mais frouxo.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração se rompe.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.
MAS... os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros estão entre a gente.

Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo pela gente, intervindo em nosso favor, e esperando de braços abertos, abençoando nossa vida!

Quando iniciamos esta aventura chamada vida, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante. Nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.

NOTA: Este texto, de autor desconhecido, recebido por e-mail é agora colocado ao dispor de todos os amigos visitantes deste blogue que ajudam a dar-lhe sentido e a estimular a sua continuação.

26/10/2008

Ambulância parada na estrada

INEM não transporta cadáveres
Notícia do CM, 25 Outubro 2008 - 12h37
Ambulância ficou parada uma hora

O INEM não transporta cadáveres nas suas ambulâncias. Se um doente morrer durante uma viagem, a viatura pára e fica a aguardar que seja transportado para um veículo alternativo.

A norma que impede que o cadáver seja transportado na viatura do INEM pode causar alguns constrangimentos na actuação do INEM, como aconteceu na semana passada no distrito de Bragança.

O caso aconteceu na passada quinta-feira, quando um homem, vítima de um Acidente Vascular Cerebral morreu quando era transportado para um hospital de Bragança. Confirmado o óbito por um médico da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), o corpo esperou mais de uma hora na estrada nacional 102 até estarem concluídos os procedimentos para ser transportada para a morgue distrital.

De acordo com fonte do INEM, o objectivo é libertar os meios de emergência para a sua missão de socorro, mas, como aconteceu neste caso, a ambulância ficou mais de uma hora parada no mesmo local, até que outra viatura transportasse o corpo do doente.

NOTA: Parece existir uma alienação generalizada das gentes deste país, que desempenham, ou parecem desempenhar funções de responsabilidade. Não conseguem ter uma noção clara da finalidade dos serviços que devem prestar e, por isso, caem em exageros que são autênticos actos de loucura. Compreendo perfeitamente que uma ambulância do INEM não se destina a transportar cadáveres e, por isso, se é chamada a um local para socorrer um acidentado que entretanto faleceu, não o deve transportar, mas sim aconselhar os procedimentos inerentes ao falecimento, inclusive aconselhar o contacto com uma agência funerária. E regressa ao seu local de estacionamento.

Mas se o falecimento ocorre a meio de uma viagem em direcção ao hospital, não tem qualquer utilidade ou benefício para a sua missão, ficar parada na estrada até que chegue uma viatura de transporte de cadáveres e se processem todos os trâmites para que o cadáver possa ser transportado. Durante essa espera podem acabar por falecer doentes noutros locais por a ambulância não estar disponível. Entre ficar ali parada ou levar o cadáver ao hospital ou a casa da família, não vejo o que terá mais inconvenientes, mas parece que teria sido melhor a segunda hipótese.

Ouvi dizer, ainda era jovem, que quando há dúvidas na interpretação da lei, será conveniente pensar qual teria sido o espírito do legislador. Aqui também convinha ver bem qual é a finalidade da ambulância do INEM e, perante as alternativas possíveis, escolher a que menos prejudicar essa finalidade.

Isso seria possível com pessoas medianamente inteligentes e preparadas para pensar e decidir com lógica e pragmatismo, com sentido de responsabilidade e sem se sentirem amarradas por receios doentios do chefe. Sem essa capacidade de tomar boas decisões assiste-se a um desnorte completo.
INEM não transporta cadáveres
Notícia do CM, 25 Outubro 2008 - 12h37
Ambulância ficou parada uma hora

O INEM não transporta cadáveres nas suas ambulâncias. Se um doente morrer durante uma viagem, a viatura pára e fica a aguardar que seja transportado para um veículo alternativo.

A norma que impede que o cadáver seja transportado na viatura do INEM pode causar alguns constrangimentos na actuação do INEM, como aconteceu na semana passada no distrito de Bragança.

O caso aconteceu na passada quinta-feira, quando um homem, vítima de um Acidente Vascular Cerebral morreu quando era transportado para um hospital de Bragança. Confirmado o óbito por um médico da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), o corpo esperou mais de uma hora na estrada nacional 102 até estarem concluídos os procedimentos para ser transportada para a morgue distrital.

De acordo com fonte do INEM, o objectivo é libertar os meios de emergência para a sua missão de socorro, mas, como aconteceu neste caso, a ambulância ficou mais de uma hora parada no mesmo local, até que outra viatura transportasse o corpo do doente.

NOTA: Parece existir uma alienação generalizada das gentes deste país, que desempenham, ou parecem desempenhar funções de responsabilidade. Não conseguem ter uma noção clara da finalidade dos serviços que devem prestar e, por isso, caem em exageros que são autênticos actos de loucura. Compreendo perfeitamente que uma ambulância do INEM não se destina a transportar cadáveres e, por isso, se é chamada a um local para socorrer um acidentado que entretanto faleceu, não o deve transportar, mas sim aconselhar os procedimentos inerentes ao falecimento, inclusive aconselhar o contacto com uma agência funerária. E regressa ao seu local de estacionamento.

Mas se o falecimento ocorre a meio de uma viagem em direcção ao hospital, não tem qualquer utilidade ou benefício para a sua missão, ficar parada na estrada até que chegue uma viatura de transporte de cadáveres e se processem todos os trâmites para que o cadáver possa ser transportado. Durante essa espera podem acabar por falecer doentes noutros locais por a ambulância não estar disponível. Entre ficar ali parada ou levar o cadáver ao hospital ou a casa da família, não vejo o que terá mais inconvenientes, mas parece que teria sido melhor a segunda hipótese.

Ouvi dizer, ainda era jovem, que quando há dúvidas na interpretação da lei, será conveniente pensar qual teria sido o espírito do legislador. Aqui também convinha ver bem qual é a finalidade da ambulância do INEM e, perante as alternativas possíveis, escolher a que menos prejudicar essa finalidade.

Isso seria possível com pessoas medianamente inteligentes e preparadas para pensar e decidir com lógica e pragmatismo, com sentido de responsabilidade e sem se sentirem amarradas por receios doentios do chefe. Sem essa capacidade de tomar boas decisões assiste-se a um desnorte completo.

24/10/2008

Já há vítimas do Magalhães!!!

Carta aberta a José Sócrates
Autor: Pedro Carvalho Magalhães

Senhor Primeiro Ministro:

Venho protestar veementemente através de Vª Exª pelo nome dado ao computador que os vossos serviços resolveram distribuir aos meninos deste país (os que sobrarem do seu negócio com o Hugo Chavez na troca do petróleo, bem entendido).

Eu, Pedro Carvalho de Magalhães, nunca mais poderei usar a minha assinatura sem ser indecentemente gozado pelos meus colegas de trabalho. Sempre assinei PC Magalhães e, desde que Vªs Exªs baptizaram o tal computador, tive que alterar todos os meus documentos.

Uma coisa tão simples como perguntar as horas e a resposta que recebo é:
- Atão Magalhães... vai ao Google...

Se vou à máquina de preservativos, há sempre uma boca dum colega:
- Para quê, Magalhães? Não te chega o anti-virus?

Se vou ao dentista, a recepção é sempre a mesma:
- Então o senhor Magalhães vem limpar o teclado...

A minha mulher, Paula Carvalho Magalhães, também sofre pressões indescritíveis no emprego: Ontem uma colega veio da casa de banho com um tampão na mão e gritou:
Paula.... esqueceste-te da tua pen!

Também o ginecologista não resistiu ao nome e, após a consulta, disse-lhe que tudo estava bem com as entradas USB!

Nem o meu filho, Pedro Carvalho Magalhães, escapa ao gozo que o nome veio provocar. A Rita, a mocinha com quem andava há mais de 6 meses, acabou tudo com este argumento:
- Magalhães.... vou à Staples procurar outro que a tua pega é muito pequena!

Quando, devido a tudo isto, apanhei uma tremenda depressão que me impediu de trabalhar, fui ao psiquiatra. Ele olhou para o meu nome e disse:
- Pois é, senhor PC Magalhães. Aconselho-o a passar pelo suporte técnico da Staples... podem ser problemas de memória RAM!

Neste momento a minha mulher quer desinstalar-se e procurar alguém que tenha um nome 'decente'.

Senhor Primeiro Ministro... porque diabo não puseram Sócrates a esse maldito computador? Queria que o senhor visse o que custa!

Atenciosamente, assina
Paulo Carvalho M. (e não me perguntem o que é o M)

NOTA: Recebi por e-mail de pessoa de confiança. Se por acaso não se trata apenas de humor, lamento imenso o que está a passar-se com esta família. Que grande tragédia!
Carta aberta a José Sócrates
Autor: Pedro Carvalho Magalhães

Senhor Primeiro Ministro:

Venho protestar veementemente através de Vª Exª pelo nome dado ao computador que os vossos serviços resolveram distribuir aos meninos deste país (os que sobrarem do seu negócio com o Hugo Chavez na troca do petróleo, bem entendido).

Eu, Pedro Carvalho de Magalhães, nunca mais poderei usar a minha assinatura sem ser indecentemente gozado pelos meus colegas de trabalho. Sempre assinei PC Magalhães e, desde que Vªs Exªs baptizaram o tal computador, tive que alterar todos os meus documentos.

Uma coisa tão simples como perguntar as horas e a resposta que recebo é:
- Atão Magalhães... vai ao Google...

Se vou à máquina de preservativos, há sempre uma boca dum colega:
- Para quê, Magalhães? Não te chega o anti-virus?

Se vou ao dentista, a recepção é sempre a mesma:
- Então o senhor Magalhães vem limpar o teclado...

A minha mulher, Paula Carvalho Magalhães, também sofre pressões indescritíveis no emprego: Ontem uma colega veio da casa de banho com um tampão na mão e gritou:
Paula.... esqueceste-te da tua pen!

Também o ginecologista não resistiu ao nome e, após a consulta, disse-lhe que tudo estava bem com as entradas USB!

Nem o meu filho, Pedro Carvalho Magalhães, escapa ao gozo que o nome veio provocar. A Rita, a mocinha com quem andava há mais de 6 meses, acabou tudo com este argumento:
- Magalhães.... vou à Staples procurar outro que a tua pega é muito pequena!

Quando, devido a tudo isto, apanhei uma tremenda depressão que me impediu de trabalhar, fui ao psiquiatra. Ele olhou para o meu nome e disse:
- Pois é, senhor PC Magalhães. Aconselho-o a passar pelo suporte técnico da Staples... podem ser problemas de memória RAM!

Neste momento a minha mulher quer desinstalar-se e procurar alguém que tenha um nome 'decente'.

Senhor Primeiro Ministro... porque diabo não puseram Sócrates a esse maldito computador? Queria que o senhor visse o que custa!

Atenciosamente, assina
Paulo Carvalho M. (e não me perguntem o que é o M)

NOTA: Recebi por e-mail de pessoa de confiança. Se por acaso não se trata apenas de humor, lamento imenso o que está a passar-se com esta família. Que grande tragédia!

23/10/2008

Escravidão às palavras

Vivemos numa época de cega obediência à moda, não só no vestir mas também em tudo o mais, inclusivamente, no uso obsessivo das palavras «politicamente correctas». E quem não conhecer um «chavão» entrado em circulação há pouco tempo, poderá ser apelidado de ignorante e analfabeto. O artigo que a seguir se transcreve foca, com a habitual clareza e frontalidade do autor, um caso que ilustra esta introdução.

Cuidados
João César das Neves
Jornal gratuito Destak, de 23 | 10 | 2008

Notícia recente: «Só três em cada dez portugueses sabem o que são cuidados paliativos» O que significa isto? Que o jornalista é parvo!

Toda a gente sabe o que é cuidar de uma pessoa a morrer. O que muitos portugueses desconhecem é o termo técnico que um punhado de especialistas deu a algo que se faz desde que o mundo é mundo.

Os jornais hoje acham que devemos saber estas coisas. O nosso tempo tem uma confiança cega nas possibilidades científicas de regulação da nossa existência. A vida tem de ser vivida dentro de um espartilho de teorias e modelos, técnicas e diagnósticos, regulamentos e sondagens, rigor científico e solidez epistemológica.

Tudo muito bem intencionado, só querendo melhorar a nossa existência. Que vida tão boa eles querem que nós vivamos! A verdade é que já nem temos poder sobre o nosso almoço. Amontoam-se os especialistas que sabem tudo o que deveríamos comer.

Directivas comunitárias já se arrogaram o direito de eliminar alguns dos nossos petiscos favoritos. Agora, pelos vistos, até querem ensinar-nos a morrer. Peço desculpa, mas até fico contente por tanta gente em Portugal não ligar à moda cultural do momento.

Isto não significa desprezo pelo valor daquilo que as ciências, técnicas e políticas têm para nos dar. Quando eu morrer espero ter por perto um especialista em cuidados paliativos.

Mas, muito mais importante, espero estar rodeado da minha família e amigos, num clima de amor e elevação. Não afogado em peritos que andaram anos na universidade para aprenderem a maneira como eu devia “bater a bota”.

22/10/2008

Sociedade civilizada respeita os seus idosos

A administração da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel é acusada de cortar na comida aos utentes idosos por algumas funcionárias. Segundo elas, no apoio domiciliário aos utentes dele beneficiários está a ser servida pouca comida, estando por exemplo, a ser cortado de quatro para três o número de pães distribuídos aos idosos que dependem da Misericórdia para tomar o pequeno-almoço, o almoço e o jantar. E os recipientes de levar a comida são pequenos

Estas denúncias de funcionárias são corroboradas por uma utente de 76 anos que paga 175 euros por mês para ter direito a duas refeições por dia. "No mês passado tiraram-me um pão. Em algumas ocasiões a comida é pouca e noutras ainda é menos", declara. Esta idosa avança, igualmente, que o marido foi aliciado a doar a casa à Misericórdia para beneficiar de um lugar no lar da instituição.

Muitas funcionárias preferem manter o anonimato com medo de represálias, mas duas mais arrojadas avançam com suas porta-vozes e acusam as directoras técnicas de "revistar as carrinhas" utilizadas no apoio domiciliário "à procura de comida a mais". E e dizem-se alvo de perseguições. "Somos postas de castigo e colocadas nos piores sítios. Se há uma funcionária que não seja querida é capaz de andar nas limpezas um mês seguido".

Em contrapartida, a esta exploração dos idosos e à anunciada medida de retirar medicação que prolongue a vida a idosos com doenças sem esperança de cura, uma espécie de eutanásia subtil, apareceu hoje uma notícia positiva: O Instituto Pedro Nunes vai reunir na quinta-feira investigadores universitários, empresários, sociólogos e profissionais de saúde, com o objectivo de criar uma equipa focada no desenvolvimento de produtos para a inclusão social e acompanhamento de idosos.

Esta intenção muito positiva e que honra a instituição que lhe dá nome constitui uma credencial de que estamos numa sociedade onde nem tudo é mau. Oxalá tenha o maior êxito e receba o merecido apoio estatal.