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19/08/2010

Fogos Florestais 2010



Fotos obtidas de jornais nas últimas semanas.
Realidades dramáticas resultantes de atitudes desleixadas e criminosas.
Que adjectivos atribuir a governantes e autarcas que não levaram a cabo medidas preventivas que tivessem minorado estas tragédias?

17/08/2010

Fogos florestais agravam perigo de deslizamento

Na sequência do post «Fogos florestais. Voluntários na prevenção», permito-me deixar aqui um alerta para os perigos acrescidos nos próximos tempos de enxurradas e deslizamentos de terras.

Em todas as organizações, máquinas ou sistemas vários complexos, existe uma interacção, por vezes muito apurada entre as partes do sistema. A Natureza é um sistema demasiado complexo pelo que não devemos descurar esse encadeamento de efeitos. Têm chegado notícias de deslizamentos de terras e de enxurradas, causando elevado número de mortos desaparecidos e feridos, em vários pontos do mundo e, entre nós, não é fácil esquecer o que ocorreu no Funchal. Mas se não esquecemos também, por outro lado, não retiramos daí as lições devidas.

Os grandes fogos florestais que devastaram toda a vegetação em vastas regiões de montanha, deixaram os terrenos fragilizados e com reduzida capacidade para reter a água das chuvas, por deficiente permeabilização em consequência da ausência de vegetação, abrindo caminho às enxurradas e aos deslizamentos. A mesma quantidade de água que, em condições normais, não causaria estragos, agora origina grandes caudais com elevado poder de erosão e o resultado pode ser ainda mais grave do que o ocorrido no Funchal.

Isto conduz o nosso pensamento para as vastas regiões do interior do nosso País vítimas dos fogos florestais que têm ocorrido. O que acontecerá se vierem chuvas torrenciais? O que tem sido feito para reduzir os efeitos negativos? Qual tem sido a acção de conselho e de persuasão dos especialistas e dos defensores da natureza? Qual o grau de consciencialização de governantes e autarcas?

Não se pode evitar as abundantes chuvadas, não se pode impedir que a água escolha as vias mais rápidas para descer, mas devemos não lhe dificultar a marcha, porque a enxurrada derrubará tudo o que encontrar pela frente. Resta-nos limpar as ribeiras e o «leito de cheia». O leito de cheia é constituído pelas faixas laterais das margens utilizadas durante as cheias de grandes caudais. Poderá ser mais ou menos largo conforme a orografia do terreno. Nesse espaço não deve haver obstáculos, fixos ou móveis, que dificultem a passagem da torrente.

Quanto aos fogos florestais, no próximo ano, se houver iguais condições meteorológicas, e entretanto não forem tomadas medidas adequadas para reduzir a carga térmica sobre o solo e se não forem tomadas medidas punitivas que dissuadam os pirómanos e os seus mandantes, poderão verificar-se fogos semelhantes aos deste ano. Não deve ser alimentado pessimismo e derrotismo, mas sim pressionar quem deve adoptar soluções de prevenção, para que as decida já no Outono.

É com antecedência que se decide e se executa a prevenção. Já há alguns anos surgiram notícias de exemplos de medidas eficientes para vigilância da floresta nos Concelhos de Alcains, Mortágua, Góis, Chamusca, Gondomar, entre outros. Certamente, a Associação Nacional de Municípios está a aconselhar todas as Câmaras a seguirem os exemplos dados por aqueles Concelhos e a imaginar algo de melhor. É preciso fazer algo de útil e não cruzar os braços à espera de milagres.

Tudo será admissível, menos cruzar os braços e esperar pelos ditames do destino. Devemos aprender as lições retiradas dos desastres e dos bons exemplos. Os fogos florestais «combatem-se» (previnem-se) a partir do Outono.

12/08/2010

Falando de algo muito sério! O autor chamou ao seu Albúm de Fotos - Beleza Demoníaca!

Portugal é pasto de chamas!
O País ficará reduzido a cinzas...
Urge que se tomem medidas punitivas exemplares para com os pirómanos bem como com todos os que por interesses múltiplos, mas sempre criminosos, provocam este caos, esta calamidade, ano após ano, destruindo uma riqueza ímpar e agravando "letalmente" a já moribunda sobrevivência do Planeta Azul.

O nosso amigo, A.Garrido, do Blog agimagens,é autor das fotos e texto que geraram o comentário do corpo dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora.

"Beleza Demoníaca" - para ver o álbum de fotos, clique aqui.

No momento em que escrevo este pequeno texto, a vertente sul da serra d'Arga continua a ser pasto das chamas que tudo consomem, pondo em causa o ecossistema e, naturalmente, a biodiversidade deste maciço montanhoso que delimita, em altitude e a nascente, a fronteira do concelho de Caminha.
Contudo e em si mesmo, o fogo não é mau nem bom. Pela utilização que dele fazemos, assim se reveste de maldade ou bondade.

O comentário dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora:
Um álbum digno de se ver... agradecemos a publicação destes magníficos registos que talvez despertem a atenção dos mais distraídos para a importante e arriscada missão dos Bombeiros que, já exaustos e com poucos meios, dão o seu melhor pela floresta (que é de todos nós), pelos bens e pessoas que são ameaçadas pelo fogo, arriscando muitas vezes a sua própria vida. Bem haja!

O meu comentário:
Registo, com apreço, o comentário dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora. Os Bombeiros, em geral, e a corporação de Vila Praia de Âncora, em particular, são, na minha opinião, credores do maior agradecimento por parte da população uma vez que, assumindo o lema "Vida por Vida", a todos defendem e a todos protegem sem estabelecerem diferenças de espécie alguma. Este comportamento altruísta nem sempre é reconhecido e, por vezes, os Bombeiros são vítimas de enormes injustiças quer por parte dos cidadãos quer por parte do estado. Os cidadãos que, no momento de aflição, esperam dos Bombeiros a primeira ajuda mas que, frequentemente, se recusam a ajudar as corporações através do seu donativo, do seu envolvimento em iniciativas organizadas por estas ou da sua participação nos órgãos sociais. O estado que delega nos Bombeiros um papel que, ele próprio, não consegue assumir, para, de seguida, abandonar as corporações à sua sorte, recusando os imprescindíveis apoios financeiros, não disponibilizando a necessária formação e recusando até determinada discriminação positiva de que, cada bombeiro, pelo facto de pôr a sua vida ao serviço dos outros, deveria usufruir. Termino recordando que os Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora precisam da nossa ajuda e que esta, para além de um dever cívico, é um imperativo moral.

Publico ainda a resposta do meu amigo Garrido ao meu pedido para publicar aqui, no Sempre Jovens, este importantíssimo depoimento.

Custa ouvir da boca dos bombeiros, na primeira pessoa, o agradecimento pela chamada de atenção para a terrível problemática dos incêndios, para a exaustão destas pessoas e para a escassez de meios com que contam para defenderem "Vida por Vida" o património de todos.
Autorização para publicitar este post? Sim e o mais possível. As palavras destes homens têm de ecoar aos quatro ventos.

Faço minhas as palavras do amigo Garrido, façam ecoar estas palavras aos quatro ventos!


13/07/2008

Conhecer a floresta para a amar e preservar

A quantidade de fogos florestais poderia ser drasticamente reduzida se fossem seguidos, por todo o lado, exemplos de vários municípios como, por várias vezes referi em cartas aos jornais (poderei enviar por e-mail a colecção dessas cartas a quem as desejar). Para defender a floresta preservando-a dos incêndios e de outros perigos, é preciso amá-la, começando por conhecê-la.

Nesse sentido preconizei a realização de actividades de ar livre nos concelhos com área florestal, levando a juventude a «passear» pela floresta, a propósito do estudo da botânica, da geografia, e através de provas de orientação, de marcha, de corrida com prémios para os melhores, organização de piqueniques e variedades nas clareiras, etc.

A imaginação não tem limites e essas actividades levariam a um melhor conhecimento da floresta e do quanto ela é agradável e útil para a vida humana. Para melhor resultado, as actividades deveriam ser planeadas por forma a que as florestas fossem percorridas em todos os sentidos e direcções.

Com a presença de pessoas, nenhum pirómano se atreveria a atear fogo. E depois de se familiarizar com as florestas, nenhum jovem se sentiria tentado a ser pirómano, ou pelo menos o número destes seria reduzido.

Estas minhas cogitações surgem ao deparar com a notícia «Equipas de 'BUGA' vigiam floresta contra incêndios». Segundo ela, no concelho de Aveiro, equipas formadas por jovens em bicicleta 'BUGA' (Bicicletas de Utilização Gratuita de Aveiro) vigiam a floresta contra incêndios. Em anos anteriores, o programa "Olhos na Floresta" já permitiu detectar vários incêndios ou queimadas perigosas.

A sua actuação perante uma coluna de fumo consiste em alertar as pessoas para o facto de ser proibido, nesta altura do ano, fazer qualquer tipo de fogo. Quando não aceitam as recomendações, comunicam às autoridades", para o que são portadores de telemóveis que lhes permitem, quando necessário, alertar bombeiros, GNR ou Protecção Civil.

Embora se trate de um serviço voluntário à comunidade, cada um dos 18 elementos recebe diariamente 12 euros para fazer face às refeições e transportes. Ficou comprovado que a BUGA, apesar de ter sido desenvolvida para circuitos citadinos, "porta-se bem" na floresta, onde a câmara tem melhorado os caminhos, para facilitar a sua utilização.

Este é, sem dúvida, um bom exemplo a seguir pelos outros municípios: é fácil, é barato e poupa milhões!