09/03/2009

Dura Lex Sed Lex!

Dura Lex
Sed Lex!
A primeira condenação
Imposta a qualquer cidadão.
Todavia,
Um mundo de interrogações
Paira no ar:
Quem de direito a inventou?
Quem de direito a aprova
Ou a faz aplicar?
Mas ela faz-se cumprir,
De modo fácil, ou não,
Sem lugar p'rá admitir
A mais leve compaixão.
Os parágrafos ... enfim ...
Dão "pano p'ra muita manga".
Por vezes a culpa anula,
Outras vezes acumula
Males maiores a cada caso.
Mas ... insisto eu:
Quem de verdade e direito
Está à altura de julgar
Cada lei?
Vejo pouco de perfeito
-Sem medo de exagerar -
Em muitos que a inventam,
Em muitos que a aprovam,
Ou a fazem aplicar.
Num mundo em cujos sistemas,
- Mais corruptos que sãos –
Fazem pesar grandes penas
Nos ombros dos cidadãos
A eles sujeitos ...
Vejo leis,
Contrárias à lei do Amor,
Males com muitas virtudes
E bens com muitos defeitos.
E, com pavor,
Assisto a tanta injustiça
Na lei imposta,
Submissa
Ao poder de cada estado,
Que já não sei se, lutar,
Traz benefícios de vulto
A um futuro que, oculto,
Me parece amordaçado.
Mas, p'ra esse mal,
Não sai lei.
É duma injustiça tremenda.
Cada um que se defenda!

Maria Letra
Londres, Abril de 1985

4 comentários:

A. João Soares disse...

Cara Amiga,
Parabéns por esta entrada de leão nas páginas do Sempre Jovens. Os visitantes estão de parabéns por terem aqui uma autora de grande quilate.
Sei que tem muitos afazeres e preocupações na sua vida particular e familiar e não lhe podemos pedir demasiado. Mas, sempre que possa, ornamente este espaço com a sua grande arte do uso da palavra.
Beijos
João Soares

Unknown disse...

Maria Letra,
fantástico e pertinente este poema... Parabéns!!!!!!

Beijinhos,
Ana Martins

Adelaide disse...

Ah Mizita,

Foi duro convencer-te. Tanto te falei deste blog, dos meus amigos que agora também são teus. Podes começar a sentir-te contagiada porque os comentários que vais ter, os do Amigo João nunca faltarão, até te vão fazer engordar um bocadinho como tu queres, pela felicidade que vais sentir. Deita cá p'ra fora essa bagagem que tens escondida não sei para quê. Quem me dera ter um pouco de bagagem como a tua. É que, apesar de sermos todos iguais, somos todos diferentes.

Parabéns e beijinhos

Milai

Maria Letr@ disse...

Vou pedir um grande favor: não estraguem o que não quero que aconteça: sentir-me envaidecida. Se algum mérito tenho é o de amar demasiado a vida, a família e os grandes amigos, um bom número dos quais desde as escolas por onde passei, há muuuiiiitos anos e que têm sabido dar-me aquele aconchego duma palavra amiga, quando dela preciso muito. Bem hajam pelos comentários. Obrigada.