06/05/2011

O que é a Felicidade ?


De certo todos vós já fizeram esta mesma pergunta, afinal é o que mais nos une e o que mais desejamos:
A Felicidade.
Mas onde procuramos a Felicidade e, mais ainda, como caminhamos para ela ?
E nesta diversidade está uma beleza incrível e a possibilidade de ver, por alguns momentos, o bem no mundo através dos olhos de tantas pessoas tão diferentes.
Talvez este seja um desafio interessante, o de me deixar mergulhar e ver a Felicidade através destas diferentes experiências: procurar este entusiasmo de quem espera o que de bom vai acontecer em cada dia, acreditar que a felicidade é como uma borboleta que passamos a vida a tentar apanhar e que só pousa no nosso ombro quando finalmente paramos, ou até mesmo ter esta inocência de achar que é uma forma de egoísmo querer fazer bem aos outros porque isso nos faz felizes.
E para vós meus amigos e amigas, o que é a Felicidade?

Desejo-vos um excelente fim de semana
Beijinhos




A Força das Palavras

03/05/2011

OS VERDADEIROS FACTOS DA CAMPANHA


Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituída por um rol de "factos" que só servem para distrair os (as) portugueses(as) daquilo que realmente é essencial. E o que é essencial são os factos. E os factos são indesmentíveis. Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governos nos lega. E para quem não sabe, os factos que realmente interessam são os seguintes:

1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos
2) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB
3) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional)
4) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPPs (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.
5) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar.
6) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses
7) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos.
8) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações
9) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis
10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB
11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB
12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível
13) As dívidas das empresas são equivalentes a 150% do PIB
14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado
15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos
16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE
17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos
18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB
19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa
20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia)
21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB
22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais.
23) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade

Isto não é Política. São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação? O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar? O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país? Quem conduziu o país quase à insolvência? Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país? Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa? Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos? As respostas a estas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser. Só não vê quem não quer mesmo ver.


A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis. Factos irrefutáveis. Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual. Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral. As distracções dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.


Enviado por e-mail pelo Amigo Alberto

Quem não tem dinheiro não tem vícios. E não pode ter Sócrates

No Público escrevi hoje sobre como as próximas eleições serão um referendo a Sócrates e ao seu estilo sectário e autocrático de governar

Levantou-se da bancada do Governo, virou as costas aos deputados, fugiu escadas abaixo, rapidinho, evitando os jornalistas. A forma como Sócrates se comportou durante o debate parlamentar mais importante da sua vida política - o debate parlamentar que terminaria num voto que o levaria a pedir a demissão - é mais reveladora do que mil discursos.
Este primeiro-ministro nunca esteve à altura do lugar a que, por circunstâncias fortuitas da nossa história política, chegou. No dia em que caiu, no momento em que o seu Governo ruía, na hora em que abandonou os seus ministros durante um debate crucial, deixou ver, com mais nitidez, o seu rosto de autocrata.
Se houvesse alguma dúvida de que não era mais possível suportar uma "situação" sustentada apenas na chantagem e no desprezo pelas mais elementares regras da democracia, o gesto final deste tiranete vindo das Beiras encarregou-se de a desfazer.
Há mais de três anos, em Janeiro de 2008, numa altura em que o país bem-pensante ainda andava embeiçado pelo personagem, António Barreto, num artigo de opinião no PÚBLICO, escrevia: "Não sei se Sócrates é fascista. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu Governo".

Em 2009, os portugueses tiraram-lhe a maioria absoluta, mas não aprendeu nada nem mudou o que quer que fosse na sua forma umbiguista e corrosiva de exercer o poder. É por isso que o que aconteceu quarta-feira na Assembleia estava escrito nas estrelas: "isto" não podia durar para sempre.


O que se passou nos meses, anos, em Portugal tem sido trágico. Houve mentira: mentira sobre o real estado do país; mentira sobre as nossas obrigações internacionais: mentira sobre os êxitos e os fracassos; mentira sobre os objectivos políticos, económicos e orçamentais. Evoluiu-se de mentira em mentira, negando de forma persistente a realidade e insultando todos os que, mesmo timidamente, tentavam evitar o desastre.

Houve corrosão dos hábitos democráticos: pressionou-se o sistema judicial, quando não se interveio mesmo directamente; procurou-se limitar as liberdades; desvalorizou-se a ética; promoveu-se o Chico-espertismo; levou-se o clientelismo a limites antes desconhecidos; menosprezou-se a importância das virtudes públicas; planeou-se tomar de assalto órgãos de informação; promoveu-se o lambe-botismo ao mesmo tempo que se perseguia e tentava isolar todos os eventuais discordantes.

Houve cegueira económica: gastou-se dinheiro no que era supérfluo mas alimentava os amigos; cortaram-se despesas de forma pontual e ineficaz por ausência de uma visão de conjunto; procurou dizer-se aos empresários onde deviam e onde não deviam investir; apoiaram-se os amigos e os que prestam vassalagem e fez a vida negra aos independentes e aos que não abdicaram da sua liberdade; fingiu-se que se mudavam algumas leis para que, no essencial, tudo ficasse na mesma.


Um dia se fará a história destes anos, e estou em crer que, quando tal for feito, os vindouros se interrogarão: mas como foi possível? Como pode Portugal cair em tais mãos e mostrar uma tal incapacidade de sacudir esse jugo asfixiante? A resposta passará, obrigatoriamente, pela história da rendição à lógica do poder pelo poder e do lugar pelo lugar de um grande partido da democracia portuguesa, o Partido Socialista.

Há mais de um ano, a 12 de Fevereiro de 2010, escrevi no Twitter: "Ou há um sobressalto no PS, ou estamos num beco sem saída. É tempo de perceber que Sócrates já não faz parte da solução, mas do problema, até do PS".


O que surpreende é o PS ainda não ter percebido isto e agarrar-se à esperança de que ainda pode salvar lugares e mordomias (não tenhamos dúvidas que é já só por isso que se batem os barões, os baronetes, os boys, as girls, os aparelhistas e todas as inúmeras clientelas do partido) atrelando-se à retórica catastrofista do líder.

Sócrates tornou-se parte indissociável do problema no momento em que transformou o exercício minoritário do poder num permanente jogo de chantagens e de enganos que destroçou mesmo a melhor das boas vontades do PSD. Responsável pelas políticas erradas que aceleraram a corrida de Portugal para o desastre, o primeiro-ministro viveu em permanente estado de negação, e é isso que justifica a vertiginosa sucessão de PEC.

Pior: ao reduzir a política ao golpe baixo e à facada nas costas, ao rodear-se de uma camarilha de trauliteiros ágil no insulto, habilidosa na manipulação e totalmente desavergonhada, capaz de jurar num dia pelo que apostrofava na véspera, Sócrates não deixou nenhum espaço para qualquer convergência ou acordos, apenas para rendições ou prestações de vassalagem.


É por isso que é ensurdecedor o silêncio de um PS que nos surge hoje tão obediente como acéfalo. Os dedos de uma mão chegam para contar os que foram capazes de levantar a voz, o que choca, sabendo-se que o PS já foi, no passado, um partido vivo e de gente de espinha direita.


Agora é um partido de zombies amestrado na retórica difundida pelos blogues anónimos de apoio ao Governo, um partido que engole em seco todos os abusos e só se mobiliza quando alguém apela aos seus instintos mais tribais. Um partido que elogia a "combatividade" de Sócrates sem sequer se aperceber que essa combatividade está centrada no "eu" que ele repete a cada passo dos seus discursos, que isso é um elogio a um marialvismo bacoco e de vistas curtas, é um partido que não alcança que a combatividade não é um valor em si mesmo, podendo até ser um factor de corrosão e de agravamento de desastres anunciados (quem duvide que reveja o filme sobre os últimos dias de Hitler).


Enquanto Sócrates continuar à frente do PS, nunca este partido poderá fazer parte de uma solução alargada para Portugal - e quero acreditar que até no PS já ninguém acredita que o país possa sair do actual buraco sem um esforço que envolva uma ampla coligação de forças políticas e sociais. Porém, no PS, ninguém se move, talvez com receio da ira do autocrata, esse auto denominado "animal feroz".


É por isso que não são muitos os caminhos que se abrem aos eleitores. Nas próximas eleições escolherão entre o sectarismo suicida de Sócrates (já que o PS se deixou reduzir à condição do "partido de Sócrates") e a possibilidade de encontrar um caminho alternativo que, podendo e devendo incluir também os socialistas, terá sempre de se fazer sem o actual primeiro-ministro e em ruptura com o seu estilo de impor ao país a sua vontade.

A escolha não será entre mais ou menos austeridade: a austeridade é um destino a que não podemos escapar, pois necessitamos mudar profundamente a nossa forma de viver para poder voltar a ter esperança e a ver a economia crescer. A escolha também não pode ser reduzida à dicotomia Passos Coelho versus José Sócrates, pois aquilo de que o país necessita é de algo mais do que optar entre dois chefes partidários - tem de poder escolher entre mais do mesmo ou uma mudança baseada numa maioria ampla.


Nos últimos anos, nos últimos meses, nos últimos dias, uma imensa sucessão de erros de política económica e orçamental colocaram Portugal na posição do mendigo de mão estendida. Há muito que temos de mudar de vida, não apenas fingir que mudamos de vida. Com ou sem queda do Governo , Portugal colocou-se numa situação em que o recurso à ajuda externa é a melhor solução para evitar, a cada ida ao mercado da dívida, acrescentar mais peso excessivo ao serviço da dívida.


A opção não é por isso entre Sócrates ou... finis patriae, pois em finis patriae já estamos - a opção é entre um suplício de Tântalo suportado em nome do imenso orgulho pessoal de José Sócrates e um caminho a percorrer por líderes mais humildes e mais respeitadores das regras democráticas.


Há quem diga que, mesmo assim, Sócrates pode voltar a ganhar. Poder, pode. Mas então só poderemos recordar Sertório: no Ocidente da Península vive um povo que não se governa nem se deixa governar.


José Manuel Fernandes, na Sexta-feira 25 de Março de 2011, às 20:50