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13/01/2010

Alcoutim e a sua lenda da Moira Encantada

Após umas férias maravilhosas em Armação de Pera, Algarve, desta vez o José e eu decidimos vir conhecer as margens do rio Guadiana e as suas terras.
Desde Castro Marim até chegarmos a Alcoutim, fomos-nos deliciando com as maravilhosas paisagens do interior.
O que mais nos surpreendeu foi a abundância de perdizes e lebres selvagens, em plena liberdade.

Ficara para trás o bulício das praia do litoral, tudo era calma e tranquilidade, a vida por aqui corre mais lenta, respira-se e transpira-se saúde. Chegados a Alcoutim, decidimos visitar, e passar por aqui o dia.
Em boa hora o fizemos.
Para quem ainda não conhece, vou só fazer uma pequena introdução a esta terra que ainda conserva muitas das tradições enraizadas por uma cultura milenar.
A sua paisagem singular, com o Rio Guadiana serpenteando as vilas ribeirinhas, dão-lhe um cariz nostálgico. Alcoutim é um concelho com história, patente no harmonioso Castelo e nos inúmeros vestígios arqueológicos, localizados nesta terra escolhida por diferentes civilizações. Uma terra com carisma, onde o artesanato tradicional representa o elo de ligação da sua cultura através das várias gerações de Alcoutenejos. É assim Alcoutim, uma reserva turística para aqueles que são atraídos pelo pitoresco, pela natureza e pelas tradições.

Antes das imagens, não resisto a contar-vos a Lenda da Moura Encantada
Junto a duas azinheiras que ainda existem perto do Castelo Velho, que foi em tempos uma antiga fortaleza islâmica, vive uma moura encantada, transformada em serpente que guarda um tesouro...
No tempo do Rei D.Sancho II (1240) o castelo terá sido conquistado aos mouros por D.Rui Gomes, de forma pacífica. Aí encontrou o ex-Alcaide mouro e a sua sobrinha Zuleima, prometida ao jovem mouro Hassan que fugira para não assistir à derrota.

D. Rui e Zuleima apaixonaram-se e foram felizes durante algum tempo. Certo dia, o cavaleiro português, convencido de que se ia encontrar com um mensageiro do Rei, foi levado a uma emboscada e apunhalado pelo próprio Hassan.
O mouro levou Zuleima no seu cavalo e foi perseguido por quatro soldados. Os dois acabaram por ser mortos ao pé das duas azinheiras.

Diz a lenda que ainda há quem oiça o soluçar da Moura Zuleima, chorando o seu amado Rui. Conta-se que, em noites de lua cheia, ela se transforma numa linda jovem e, em cima da azinheira, penteia os seus longos cabelos, à luz do luar...

Veja imagens da Vila de Alcoutim aqui
Fernanda Ferreira (Ná)