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07/08/2009

Vontade de Conversar

Na vida nada acontece por mera casualidade.
Num simples percurso que se faça, ao longo de uma estrada, somos confrontados com o espanto que a nossa sensibilidade é capaz de tecer e arquitectar no plano analógico.

Uma árvore ou um conjunto de árvores, uma colina um rio ou uma montanha, uma simples flor ou um cardo amarelecido, remete-nos irremediavelmente para o mundo dos sentimentos, construindo sensações.

A forma, os contornos estarão de acordo com o tempo e com o templo de cada um de nós. Do nascer ao morrer há tempo para tudo.Tempo para esperar o acontecer. Tempo para escutar o coração e calar a voz da razão. Tempo para arregaçar as mangas e partir para a luta. Tempo de perder com dor. Tempo de esquecer que o mar existe e que lá fora o acontecimento é notícia. Tempo de soltar gritos e calar os mais aflitos. Tempo de levedar o amor.

No nosso templo as fragilidades não se ausentam. Marcam o ritmo da vida, em parcerias com os nossos êxitos, com os nossos sucessos. A dificuldade reside na coragem da sua partilha com os outros.
Fomos educados numa construção do social, e que o Homem foi feito para o êxito e nunca para o fracasso. Expor as suas fragilidades faz parte de um processo pouco permitido ou quase proibido.
Mostrar o seu lado carente de afecto, a necessidade de ter "almofadas" para descansar de si, é tido e havido como um comportamento desequilibrado.

Mas eu continuo a dizer que podemos ser rios e fontes, montanhas e vales profundos, flores e cardos, sol e vento e que as semelhanças com todos estes outros elementos da natureza não são meras casualidades. Nascemos sob o signo da harmonia. Urge tomar a peito o respeito pela Herança e não anular a Criatividade para que possa surgir o Progresso.

Maria José Areal
Do Livro "Pedaços de mim" de Maio de 1999
Fernanda Ferreira