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01/08/2009

Passeio à beira- mar!


Hábito porventura inspirado no bem conhecido “La promenade des Anglais”, o “apanhar ar e esticar as pernas” junto ao mar (a que alguns apelidam de “passeio dos tristes”) tornou-se desde há muito uma instituição nacional.

Por razões de proximidade, e porque o lugar é agradável e atractivo, “Leça da Palmeira”é o meu lugar de eleição nos meses de Inverno. Fim de semana de sol a culminar uma sequência de dias feios e desagradáveis que nos prenderam em casa é dia certo de romaria. A ideia de que um passeiozinho faz bem é consensual, e não só aplicável aos humanos; alguns cães com sorte, extensão da família, também tiram proveito da ocasião, com tanto ao mais entusiasmo que os próprios donos - por vezes “excessivo”- daqui resultando algumas cenas características e divertidas destes ajuntamentos.
Acreditando, na sua boa fé, que têm direito a pôr em prática aquilo que a mãe natureza os programou para fazer, proporcionam, por vezes, situações hilariantes , a que só não acha graça a pessoa que se encontra no outro extremo da trela, particularmente quando a mesma é uma senhora …, e a presenciar o acontecimento junta-se, às vezes, uma pequena multidão. De um lado, os cãezinhos a tentar aproveitar a oportunidade, e fazer a vontade ao corpo; do outro os “embaraçados” donos, que a todo o custo os tentam afastar, e impedir a consumação do acto.
Os bichos fazem finca-pé, bem tentam, coitados, mas lá acabam, de patas retesadas, a serem arrastados pelo chão, certamente incapazes de compreender como pode existir tamanha “crueldade”… especialmente de quem eles certamente menos esperavam!

E, para além dos cães e cãezinhos, de alguns meninos aos pontapés na bola, e de outras minorias que se fazem deslocar em bicicleta ou skate, perturbando por vezes o passeio que se queria tranquilo, a grande maioria passeia-se paulatinamente, de um para o outro lado, olhando os outros, que, por sua vez, também os olham.
Ocasionalmente, lá se encontra alguém conhecido; para-se então à conversa, a marcha é retomada, e lá se vai cumprindo o programa estabelecido para aquela tarde, até que chegue a hora do regresso a casa.
Mas, de entre este grupo de pessoas amantes do ar livre, há uma minoria, muito especial, que encontra na ida à beira-mar uma outra forma de prazer que não passa pelo exercício. Ficam eles dentro do carrinho, virado para o sol, assento reclinado, quase na horizontal, a gozar o doce prazer da preguiça - dolce fare niente –.
Se aconteceu o almoço ter sido bem comido e ainda melhor bebido, dentro daquele quentinho então não há vontade que resista ao apelo do corpo ; os sentidos adormecem; o cérebro desliga - é uma imensa paz de espírito , certamente não muito longe do estado de nirvana.
Mas o sol não parou; está cada vez mais baixo, e também menos quente ; é tempo de voltar para casa. Com um pouco de sorte, pode ser que não fiquem presos numa dessas filas que, às vezes, têm o condão de arruinar a memória de um dia bem passado!

01-08-2009
Vitor Chuva