Mostrar mensagens com a etiqueta Mãe.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mãe.. Mostrar todas as mensagens

15/12/2009

Mãe a tempo inteiro.


Júlia é a mais velha de quatro irmãos. A mais velha porque nasceu primeiro. Não porque a cegonha não gostasse do seu doce cheirinho, mas porque uma mulher desejava muito ser mãe a tempo inteiro.

Ser mãe dá muito trabalho. Exige mesmo o tempo do tempo inteiro! Há que amamentar, acordar, adormecer, aconchegar, mimar, educar, tantos verbos afeiçoados ao amar!

A mãe gostou tanto de amar a Júlia que decidiu ter mais três filhos (mais uma rapariga, a Fernanda, e dois rapazes, o António e o Jorge) para amar. Pensou no nome deles em voz alta a cada nove meses de barriga, pois não segurava a boca de tanta agitação. Pensou muito nos nomes, como qualquer mãe, pois o nome das coisas dá vida às coisas sem vida. Da boca ao ouvido, andam de boca em boca sem nunca se diluírem no espaço e no tempo.

De cada vez que engravidava, a infância corria-lhe a memória às voltas e cada história lembrada provocava um espasmo com sabor a framboesa. As águas amnióticas desta mãe eram azuis, o seu sangue vermelho, como qualquer sangue de qualquer outra mãe, embora esta fosse especial, não fosse ela a minha mãe.

Entre pétalas mensageiras, nasceram as crianças. Cada uma das pétalas impregnava na criança um sentimento inaudito. O cordão umbilical desta mãe foi eficaz. Regenerou todas as mágoas do mundo através de toda uma luz de significações, num campo agreste, um trilho de estrelas. .

Mãe a tempo inteiro consegue fazer verdadeiros milagres das suas crianças, seres a tempo inteiro.
A cada grito de uma criança que vem ao Mundo, vem com ela o sol agradecido a cada alvorecer.

Ilustração da minha querida amiga Phoebe

Fernanda Ferreira