Uma pintura óleo sobre tela de Domingos Rebelo (1891-1975) nasceu em Ponta Delgada, frequentando, em Paris, a partir de 1907, a Academia Julian. Está exposta no museu, Carlos Machado em Ponta Delgada, Açores.
Note-se que existem actualmente dois tipos de emigrantes, os que emigraram para conseguir melhorar as condições de vida e os que emigram para se especializarem técnicamente e ou exercerem profissões de alto nível técnico e científico, para as quais não há a possibilidade de evolução em Portugal.
Referênciando o primeiro tipo de emigrantes, por vezes ouvimos falar muito mal desses emigrantes, criticar a sua vaidade quando vêm à terra natal, uns porque já não falam português, outros porque tudo o que é de fora é que é bom... com tudo compreende-se que gabem o país de acolhimento, pois lá conseguiram o que aqui seria uma miragem! Portugal não lhes proporcionaria uma vida decente, nem seria nunca, a via para a concretização dos seus sonhos.
É essa vaidade que julgo estar ímplicita e subjacente aos referidos emigrantes. Relativamente ao esquecimento da língua, uns falam a língua do país de acolhimento para mostrar que conseguiram aprender e integrar-se, outros porque querem passar-se por turistas e aínda aqueles que na tentativa de que quem os rodeia, não saibam do que falam! Em todo o caso as más línguas, revelam a chamada " dor de cotovelo ", manifestada por quem não teve a coragem de arriscar, de dar o "salto" e se mantém limitado e resignado com a vida que tem!
Relativamente ao segundo tipo, na maioria das vezes, não nos apercebemos sequer que são emigrantes, a não ser que nos digam, emigram sobretudo pela valorização profissional e curriculum, que após o regresso os catapulta para mais altos desempenhos pela via da experiência adquirida e consequentemente também mais e melhores oportunidades.
Tudo o que aqui referi, vem a propósito de os emigrantes, nem sempre serem bem entendidos, e acabam por ser considerados como estranjeiros no próprio país, e daí uma injustiça. Os emigrantes têm sido uma mola impusionadora da economia nacional, com o envio de remessas das suas poupanças e nota-se a sua importância no volume de depósitos efectuados. Caberia à Terra mãe, criar condições de apoio para que não esqueçam a língua materna e para que acalentem o desejo de um dia regressar. Deveria quem nos governa, criar condições de desenvolvimento e de oportunidades para que não sintamos necessidade de emigrar, ou que a isso não sejamos obrigados!
Os emigrantes, devem ser acarinhados, apoiados e reconhecidos, pois pelo seu suor e sacríficio, pelo que contribuem e muito, para o desenvolvimento do país. Pergunto... porque se fecham consolados por esse mundo fora? Porque não existem verbas para o ensino da língua portuguesa? Porque se retiram cada vez mais os apoios às comunidades portuguesas?
Portugal esquece os seus filhos, como quer obter o retorno? Como não quer ser esquecido?
Com este pequeno texto, pretendo deixar um apelo de compreensão pelos nossos conterrâneos e sobretudo a ideia da sua importância, de forma a que fique bem claro que é preciso mais apoio a quem lá fora trabalha. Que os políticos não se lembrem dos emigrantes, só aquando dos períodos eleitorais!
