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30/08/2010

Cabelo difícil !

Esta é uma daquelas histórias verídicas que devem ser contadas, acreditem em mim!

Quando há cerca de três anos conheci o Fred Grech, ele era tão-somente o meu melhor professor de Inglês de sempre.
Na altura, estava a preparar-me para o meu último exame de Inglês.
Felizmente, e até porque temos muitíssimo em comum, até a idade… tornamo-nos amigos muito próximos.
Estar com ele é sempre uma alegria imensa, não há como não rir com ele.
Esta é uma das suas histórias. Simplesmente hilariante!

Andava o Fred muito incomodado, já há uma semana inteira, devido a um cabelo maroto que lhe entrava constantemente num olho, causando-lhe uma sensação muito desconfortável. Por mais que ele o tenha tentado localizar, o culpado não se deixava ver!
Como o malvado do cabelo não se mostrasse, e mesmo tendo o meu amigo até mudado de penteado, embora as suas opções fossem muito limitadas, uma vez que o seu cabelo é curto, o Fred, ainda assim, arriscou, primeiro abrindo risca à esquerda, depois levantando-o um pouco dos lados… mas nada.
Foi então que desesperado decidiu ir ao barbeiro.

O seu barbeiro fez um trabalho maravilhoso, embora ele tivesse esperado bastante tempo para ser atendido, pela simples razão de que o seu barbeiro não trabalha com o sistema de reserva prévia.
Quem como eu conhece bem o Fred, sabe que paciência não é propriamente a sua maior virtude,mas também sabe que ele se entretém com qualquer coisa.
Por exemplo, ele gosta de apreciar os “old geezers” (expressão muito usada por ele quando se refere aos menos jovens), especialmente a forma como estes, todos “empertigados”se sentam na cadeira, e assim como se fosse a coisa mais natural do mundo, se deixam cortar os pelos das suas narinas (^_^)! 
Durante estas esperas, ele normalmente enterra a cabeça numa revista ou num jornal e vai rindo o mais disfarçadamente possível, de tudo o que vê e vai ouvindo, embora às vezes não se contenha e ria
mesmo às gargalhadas, tendo então que apontar para a revista e atribuir as culpas ao artigo que está a ler!
Só o barbeiro sabe a verdade! Ambos já chegaram à conclusão que é muito mais eficiente e consideravelmente  mais barato do que o ir ao psicólogo (^_^)!
 Nesse dia ele deu uma boa gorjeta ao seu barbeiro. Quando saiu do salão, o seu cabelo estava perfeito, muito melhor do que todos os belos cabelos de qualquer modelo profissional. Assim se sentia! Todo peneirento!

Mal chegou a casa sentiu novamente algo a picar-lhe o mesmo olho… sentindo-se amaldiçoado e arrependido de ter gasto todo aquele dinheiro para nada, num corte de cabelo desnecessário, pegou  então no seu pequeno espelho de mão, o que usava sempre para pentear as sobrancelhas…e …. “gosh” “folks” “geeze” (^_^) Que vergonha (^_^)!
O “culpado” … estava mesmo ali! 
Um pelo ENORME das suas farfalhudas sobrancelhas! 

Para se certificar de que tudo estaria bem com a outra sobrancelha, verificou-a também. Para seu enorme espanto encontrou a sua primeira BRANCA…! “Ohmigosh" (^_^)!

Há mais de uma década que ele não via a sua cor natural de CABELO, mas ingenuamente nunca esperou ver os seus pelos das sobrancelhas brancos. Seria possível que os seus outros restantes pelos também estivessem brancos???
Fez logo ali uma inspecção minuciosa, mas não. AINDA não!!! Ufa!!!

Voltou ao rosto… e só então percebe que também não tinha pelos nas narinas (^_^)! 

Bem, amigos, só vos posso dizer que ele me prometeu que nunca mais se riria dos “old geezers” na barbearia, nem em mais parte alguma…. Até porque ele estava à beirinha de se tornar um também (^_^) !!!

Imagem da InterNet

26/08/2009

As mãos da minha avó !!!

A minha avó que tinha mais de 90 anos, estava sentada num banco na varanda, e tinha um aspecto fraco.
Ela não se mexia, estava apenas sentada a fixar as mãos.
Quando me sentei ao pé dela, nem sequer se mexeu, não teve nenhuma reação.
Eu não a queria perturbar, mas ao fim dum certo tempo perguntei-lhe se ela estava bem.
Ela levantou a cabeça e sorriu para mim.
- Sim, eu estou bem, não te preocupes, respondeu ela com uma voz forte e clara.
- Eu não a queria incomodar, mas você estava aí com o olhar fixado nas suas mãos, e eu apenas pretendi saber se estava tudo bem consigo.
- Já alguma vez viste bem as tuas mãos ? perguntou-me ela.
Quer dizer, vê-las como deve de ser.
Então eu olhei para as minhas mãos e fixei-as.
Sem compreender bem o que ela queria dizer, respondi que não, nunca tinha olhado bem para as minhas mãos.
A minha avó sorriu para mim e contou-me o seguinte:
Pára um bocadinho e pensa bem como as tuas mãos te têm servido desde a tua nascença.
- As minhas mãos cheias de rugas, secas e fracas, foram as ferramentas que eu utilizei para abraçar a vida
Elas permitiram agarrar-me a qualquer coisa para evitar de cair antes de eu aprender a andar.
Elas levaram a comida à minha boca e vestiram-me
Quando era criança a minha mãe mostrou-me como uni-las para rezar.
Elas ataram as minhas botas e meus sapatos.
Elas tocaram no meu marido e enxugaram as minhas lágrimas quando ele foi para a guerra.
Elas já estiveram sujas, cortadas, enrugadas e inchadas.
Elas não tiveram jeito nenhum quando tentei segurar o meu primeiro filho.
Decoradas com a aliança de casamento, elas mostraram ao mundo que eu amava alguém único e especial.
Elas escreveram cartas ao teu avô, e tremeram quando ele foi enterrado.
Elas seguraram os meus filhos, depois os meus netos, consolaram os vizinhos e também tremeram de raiva quando havia alguma coisa que eu não compreendia.
Elas cobriram a minha cara, pentearam os meus cabelos e lavaram o meu corpo.
Elas já estiveram pegajosas, úmidas, secas e com rugas.
Hoje como nada funciona como dantes para mim, elas continuam a amparar-me e eu ainda as uno para orar.
Estas mãos contêm a história da minha vida.
Mas o mais importante é que serão estas mesmas mãos que um dia Deus segurará para me levar com ele para o seu Paraíso.
Com elas, Ele me colocará a Seu lado.
E lá eu poderei utilizá-las para tocar na face de Cristo.
- Pensativo eu olhava para as nossas mãos.
Nunca mais as verei da mesma maneira.
Mais tarde Deus estendeu as Suas mãos e levou a minha avó para Ele.
Quando eu me aleijo nas mãos, quando elas são sensíveis, quando acarinho os meus filhos, ou a minha esposa, penso sempre na minha avó.
Apesar da sua idade avançada, ainda teve inteligência suficiente para me fazer compreender o valor das minhas mãos.