A região vitivinícola do afamado vinho do Porto é a Região Demarcada do Douro, a mais antiga do mundo. Data de 10 de Setembro de 1756 e foi decretada pelo então primeiro ministro do Rei D. José I, o célebre Marques do Pombal, que por alvará régio criou também a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, como forma de protecção da qualidade dos vinhos e dos produtores e exportadores Portugueses.A região situa-se no nordeste de Portugal, estendendo-se pelo vale do rio Douro e seus afluentes e abrange os distritos de Vila Real, Bragança, Viseu e Guarda, dividindo-se em três sub-regiões - Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, produzindo cada uma, vinhos com especificidades próprias.
A região tem início a cerca de 150 Km a montante da foz do Douro em Mesão Frio, Peso da Régua e Santa Marta de Penaguião e parte dos concelhos de Alijó, Murça, Sabrosa e Vila Real. No distrito de Bragança: parte dos concelhos de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Mirandela. No distrito de Viseu: parte dos concelhos de Armamar, Lamego, Resende, São João da Pesqueira e Tabuaço. No distrito da Guarda: o concelho de Vila Nova de Foz Coa e parte dos concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo e Meda.
Esta é uma região muito montanhosa que por se encontrar a oeste protegida por montanhas, destacando-se a serra do Marão (1415 metros) a qual a protege essencialmente da influência do clima atlântico. Assim a região tem um micro clima do tipo atlântico, atlântico - mediterrânico, acentuando-se para montante, com elevação da temperatura e diminuição da queda pluviométrica. A distribuição da temperatura e da pluviosidade além de bastante irregular no decurso do ano apresenta extraordinárias amplitudes térmicas, atingindo-se por vezes temperaturas superiores a 45 ºC no Verão, para descerem abaixo dos 0ºC nos meses de Janeiro/Fevereiro. Nove meses de Inverno e três de Inferno é a forma como no Douro se referem às condições climatéricas.
Com uma superfície total que abrange 250 mil hectares, dos quais apenas 48 mil são ocupados por vinha, a região duriense tem para além do micro clima, como característica fundamental, características geológicas particulares com solos predominantemente xistosos. Uma propriedade peculiar que a rocha apresenta é a de permitir a penetração das raízes a grandes profundidades, facultando-lhes assim a absorção da quantidade de água necessária para resistirem a verões quentes e secos, que caracterizam o clima da região.
Embora exista excesso de argila e de cascalho, proveniente da desagregação do xisto, um e outro equilibram-se, conferindo aos solos uma textura adequada à vinha. O ditado popular aqui diz, que a vinha bebe sol e como pedra.
Muita dessa pedra foi usada para a construção de terraços nos socalcos, que têm como principal função o impedimento da erosão do próprio solo e a retenção de parca chuva no Verão, tendo estes sido feitos à mão, sobretudo nas zonas de maior declive.
(Continua)
Para terminar, e porque tenho duvidas que tenham lido as histórias do Sr. Nicolau de Almeida, termino esta crónica sobre a região, com uma história verídica, que eu própria ouvi da boca do pai do Barca Velha.
Numa dada altura, andava o Sr. Nicolua de Almeida pelo Minho, procurando vinhos para uma possível exportação para o Brasil, quando se encontrou com um produtor, que por sinal era bastante mal encarado, sobretudo quando ouviu da boca do mestre que o seu vinho não tinha as características que ele desejava.
Como este insistisse para saber qual o defeito encontrado no vinho, sob pena de soltar os cães, este viu-se obrigado a explicar-lhe que o vinho tinha mofo, tinha um cheiro idêntico ao de um pano molhado dentro de uma sala. O produtor do vinho verde furibundo correu com o Sr. Nicolau de Almeida e este aliviado desapareceu.
Passados largos meses, apareceu na Ferreirinha alguém que dizia pretender falar com o “cheirista”. Intrigado, o famoso pai do Barca Velha recebeu-o e percebeu imediatamente ao avistá-lo de quem de tratava. O produtor minhoto, que desta vez trazia um ar bem-disposto, vinha informar o mestre que tinha vendido o vinho todo na região, mas para seu grande espanto quando chegou ao fim da Pipa, lá estava uma samarra que possivelmente algum trabalhador acidentalmente tinha deixado cair e lá tinha ficado.
Afinal o “Cheirista” tinha razão!
Fernanda Ferreira


