12/03/2008

A terceira idade actual já não é a do reumático

Transcrição de artigo de igual título, do JN, em homenagem dos elementos do CVS (Clube Virtual de Seniores) Sempre Jovens
Da autoria de Manuel Serrão, Empresário

Passaram ontem 33 anos sobre o 11 de Março de 75, que só os portugueses com idade ligeiramente avançada se lembram o que foi. Curiosamente quase parece que foi ontem, mas há muitos séculos 33 anos eram uma vida.

Nestes tempos de Quaresma, é costume recordar que Jesus Cristo foi crucificado com 33 anos, segundo reza a História. Na época, era um homem feito, não apenas por ter tido uma vida cheia, para quem acredita no que sobre ele se escreveu, mas porque já nessa altura era quase um milagre viver muito para além dos 40-45 anos.

Regressando aos tempos modernos, mas recuando 40-45 anos, nesse tempo já era relativamente comum chegar aos 33 anos, mas dos trintões dessa época já se tinha a ideia de homens de barba rija e era com alguma complacência que se olhavam as pessoas com mais de 60 anos. Não é por acaso que o termo sexagenário era quase sinónimo de velho ou reformado e era seguramente o mesmo que dizer terceira idade.

A idade da reforma, dos descontos nos transportes públicos, das gentilezas dos lugares sentados que se ofereciam e das travessias das passadeiras que se ajudavam era a partir dos 60 que se consolidavam.

Falar de um septuagenário era mais ou menos como falar dos fenómenos do Entroncamento ou dos porcos que alguém tinha visto um dia a andar de bicicleta.

Quarenta anos depois, vivemos uma realidade completamente diferente. Eu diria que a nossa sociedade deu um salto (ou teve um sobressalto...) de 20 anos. O que era verdade há 40 anos para um sexagenário só é hoje verdade para um octogenário. Os 80 anos de hoje são os 60 de há 40.

Aparentemente, estou a dar-vos conta de uma boa notícia. Sobretudo para todos aqueles que hoje têm 80 e podem e devem sentir-se 20 anos mais novos. Pensando bem, até podem sentir (o que eu já não sou capaz de imaginar porque não vivi esse tempo) que os seus 80 anos de hoje valem ainda menos do que os 60 anos de quando tinham 20.

Enfim, sem exagerar, seguem-se alguns exemplos de aplicações práticas do que escrevi acima e os leitores julgarão se esta realidade que parece incontornável será assim tão boa para todos, ou não.

Há 40 anos, nenhuma família responsável autorizava que o seu velhinho de mais de 60 anos usasse o automóvel sem restrições. Hoje, conheço muito boa gente de 80 anos que continua a deslocar-se sozinha no seu automóvel, praticamente sem nenhuma condicionante.

Há 40 anos, os avós perdiam-se cedo ou nem sequer os conhecíamos. Agora, a minha filha tem os quatro avós frescos para assar e ainda tem uma bisavó!

Há 30 anos, toda a gente achava normal um governo que tinha um primeiro-ministro com menos de 50 anos e vários secretários de Estado com menos de 30. Nas últimas presidenciais, tivemos dois candidatos com mais de 70 e um com mais de 80 e praticamente ninguém usou a sua avançada idade como tema de campanha.

Há 30 anos, um jovem licenciado estava disponível para o mercado de trabalho aos 22, 23 anos. Hoje, é fácil encontrar pessoas que vão acumulando formações e só entram no mercado de trabalho muito perto dos 30 e muitos ainda vivem em casa dos papás.

Há três décadas, no jardim da Praça da República, no Porto, podiam ver-se velhinhos de 60 e tal anos a ocupar as tardes na batota. Agora, mostrando que a lógica da batota é uma batata, é raro lá ver alguém com menos de 70 ou 80.

Há 30 anos, os primeiros corpos sociais da Associação Nacional de Jovens Empresários rasavam os 30 anos de idade média e eram considerados sub-21 dos seniores das AIP. No passado fim-de-semana a ANJE e a SEDES reuniram 120 pessoas maioritariamente entre os 35 e os 45 anos e os poderes instituídos olharam para o evento como uma manifestação de juventude irrequieta.

Há 23 anos, Ludgero Marques foi eleito presidente da AIPortuense, com 47 anos. Hoje, um dos argumentos para preferir José António Barros (que terminará o mandato quase septuagenário) a Paulo Nunes de Almeida é que, na actual situação da AEP, é necessária alguma maturidade que só a idade traz. Paulo Nunes de Almeida tem 49 anos...

11/03/2008

Alguns conselhos aos idosos

Segundo notícia do DN de hoje, a GNR de Santa Maria da Feira anda pelos centros de dia a deixar conselhos úteis aos idosos que podem ajudar a evitar, com alguma facilidade, cair no conto do vigário.

Não estamos perante uma onda de burlas a idosos, pois este tipo de crime ocorre de forma esporádica. Mas publico aqui alguns dos conselhos práticos que podem ser úteis.

Aconselha-se a não atender estranhos ou alguém que exija dinheiro por serviços públicos sem estar devidamente identificado. Esta é uma das "pequeninas coisas" que devem ser tomadas em devida conta pelas pessoas de mais idade e que passam os dias em casa, normalmente, sozinhas, sendo um dos alvos preferidos dos burlões.

Em primeiro lugar é necessário ter sempre uma postura de calma nas abordagens que são feitas. Os pedidos de cobranças ou levantamento de dinheiro duvidosos, por parte de indivíduos ainda que apresentem identificação, devem ser remetidos sempre para familiares ou vizinhos conhecidos de forma a confirmar se se trata ou não de uma burla.

As pessoas devem reencaminhar esses casos para familiares, vizinhos ou instituições que frequentam, a fim de, assim, evitar que sejam eventualmente enganados, pois, normalmente, quando se mostra "cautela e sensatez" o burlão é levado a desistir.

É preciso resistir a propostas que chegavam, até pelo telefone, de vendas que muitas vezes são trafulhice.

É aconselhável que os idosos se habituem a utilizar meios de pagamento electrónicos, através dos quais é fácil levantar dinheiro, mas não devem facultar cartões ou códigos a estranhos.

Há estudos segundo os quais os burlões abordam com "mais facilidade" pessoas "tristes e cabisbaixas" tentando aproveitar-se dessa situação de debilidade "com propostas encantadoras". A amabilidade excessiva é, muitas vezes, uma forma de ludibriar.

09/03/2008

Desabafo de uma professora

Estou a ouvir o Fórum TSF e, como não posso participar (logo no início anunciaram não ter capacidade para receber mais inscrições), gostaria de deixar aqui o meu testemunho (se é que ainda é necessário...). É que não suporto ouvir mais que os Professores estão a ser manipulados. ........

A autora deste texto pediu para o retirar. Ela lá sabe a linhas com que quer coser-se. Achei muito estranho que um texto para a TSF não fosse para tornar público...mas enfim tenho que respeitar a posição dela.
Coisas que a mente humana tece. Será ela um bom exemplo dos bons professores?

Peço desculpa aos leitores deste espaço que procura ser sério e exercer um dever cívico.

08/03/2008

Dia Internacional da Mulher

Para não deixar passar esta data em branco transcrevo um artigo dos três que a nossa colega Mariazita publicou no seu blogue

http://acasadamariazita.blogspot.com/

Mulheres da Women’s Trade Union League


8 DE MARÇO – UMA DATA DE MUITAS HISTÓRIAS

Era uma vez uma mulher…duas mulheres…talvez 129 mulheres. A data era 8 de Março de 1857; mas bem podia ser de 1914 ou (quem sabe?) de 1917. O país era os Estados Unidos da América – ou será Alemanha? Ou Rússia?

Numa fábrica em Nova Iorque, onde trabalhavam, 129 mulheres foram mortas porque organizaram uma greve por melhores condições de trabalho.As fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário e pagavam-lhes um terço do que auferiam os homens para executar o mesmo trabalho.
Ao serem reprimidas pela polícia, essas mulheres refugiaram-se dentro da fábrica. Nesse momento os patrões, auxiliados pela polícia, num acto totalmente desumano, trancaram as portas e atearam fogo. As mulheres acabaram por morrer carbonizadas. Isto passou-se a 8 de Março de 1857.

Em 1903 profissionais liberais norte americanas criaram a Women’s Trade Union League, que tinha como objectivo principal ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

O incêndio de Nova Iorque, foi considerado, com toda a razão, um acto brutal. Contudo, há quem não o relacione com a celebração do Dia Internacional da Mulher, simplesmente porque não há qualquer documento oficial que estabeleça essa relação.
Alguns estudiosos entendem como mais fiável relacioná-lo com o facto de, no dia 8 de Março de 1917, operárias russas terem saído para as ruas reivindicando o fim da fome, da guerra e do czarismo, que culminou com o início da revolução russa de 1917.

Contudo, a referência histórica mais divulgada é a da II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, Dinamarca, em 1910. Daí emanou a sugestão de que o mundo deveria seguir o exemplo das mulheres socialistas americanas, que inauguraram a luta pela igualdade de direitos. Dessa Conferência saiu também a Resolução de instaurar um Dia Internacional das Mulheres.
Mas somente em1975, através de um decreto da ONU (Organização das Nações Unidas), a data foi oficializada.
Não há, na Resolução de Copenhaga, qualquer alusão específica ao dia 8 de Março. Talvez esse facto justifique que o Dia Internacional da Mulher seja associado, nalguns locais, a datas diferentes ( Chicago – 3 de Maio de 1908, Nova Iorque – 28 de Fevereiro de 1909, Alemanha e Suécia - 19 de Março de 1911).

O facto de o Dia Internacional da Mulher estar ligado a este ou àquele momento histórico não é significativo.
O que conta é que o dia 8 de Março universalizou-se pela semelhança dos eventos mundiais relacionados com as lutas das mulheres.
Nos dias de hoje o Dia Internacional da Mulher é mais do que um simples dia de comemoração ou de lembranças. É a oportunidade para uma profunda reflexão sobre a situação da mulher: o seu presente concreto, os seus sonhos, o seu futuro real.
Nalguns países realizam-se conferências, debates e reuniões, a fim de discutir o papel da mulher na sociedade actual, tentar diminuir e, quem sabe, um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Apesar de todas as conquistas já realizadas, em muitos locais ela ainda é sujeita a salários mais baixos, horas excessivas de trabalho, violência masculina e desvantagens na carreira profissional.
Muitas foram as conquistas da mulher ao longo dos tempos, mas ainda há muitas situações que precisam ser modificadas.
O Dia Internacional da Mulher é, pois, dia para pensar, repensar, e organizar as mudanças em benefício da mulher, e, consequentemente, de toda a sociedade. Os outros 364 dias do ano deverão ser para as realizar.

07/03/2008

Uma hora

Uma criança perguntou timidamente ao pai quando este regressava do trabalho:

Pai, quanto é que ganhas por hora?

O pai, friamente, respondeu:
Para que queres tu saber? São dez euros por hora.

Então, pai, poderias emprestar-me três euros?

Então é por isso que queres saber quanto ganho por hora? Vai para a cama e não me aborreças mais!

Já era noite quando o pai começou a pensar no que tinha acontecido e sentiu-se culpado. Talvez o filho necessite de comprar algo.

Entrou no quarto e perguntou-lhe baixinho:
Filho, já estás a dormir?

Não, pai.

Olha, aqui tens os três euros que me pediste.

Muito obrigado, pai.

Depois a criança levantou-se, foi buscar os sete euros do mealheiro e disse ao pai:
Agora já tenho dez euros! Pai, podias vender-me uma hora do teu tempo?


Os pais podem dar coisas aos filhos. Mas o que eles mais necessitam é que lhes dêem tempo para os escutarem.


recebido por email

03/03/2008

O consumidor pobre é o mais explorado

As despesas correntes, obrigatórias, constituem uma percentagem dos rendimentos muito maior nos pobres do que nos ricos, pelo que qualquer aumento de preços vai aprofundar e alargar o fosso entre os menos e os mais favorecidos. Se dois agregados familiares com igual número de pessoas gastam 90 nas despesas correntes, o que ganha 100 gastou 90% do seu salário e o que ganha 500 gastou apenas 18% do seu salário. E há preços com aumentos exorbitantes, não apenas o do pão.

Vou relatar um caso concreto. Em 29 /2 comprei no JUMBO de Cascais lâmpadas de 40W Philips das que agora estão a ser aconselhadas para poupança de energia e protecção ecológica, ao preço de 6,89€. Hoje 3/3 tive de voltar ao JUMBO de Cascais e vi que as mesmas lâmpadas custam 8,99€.

Fazendo contas, verifica-se que o preço foi aumentado, durante o fim-de-semana e mudança de mês, de 30,48%.

Poderá perguntar-se porquê? A resposta será certamente relacionada com a grande publicidade feita a estas lâmpadas, que resultará numa maior procura que o JUMBO aproveita para obter maiores lucros. A ganância e a falta de controlo dos interesses dos consumidores, principalmente os mais carentes, permite estes abusos.

Depois desta constatação, nunca mais comprarei nada no JUMBO, sem antes comparar os preços com os de outros vendedores. O consumidor deve abrir os olhos para evitar ser explorado de forma tão despudorada. E deixo aqui este alerta para os visitantes desta folha.