21/06/2015

Rio-Lisboa



 

O carioca-da-semana-passada, um dos períodos mais tristes da vida do Rio.


O bom de descer as ladeiras de Lisboa é que durante alguns dias você está longe da selvageria carioca, pode sentir a nostalgia de sair flanando como fazia antes nas ruas da sua cidade. Zero de medo. Assim como quem não quer nada, um sorvete da Santini numa das mãos, você vai Rua do Carmo abaixo, passa pela luvaria Ulisses e, quando dá com os cornos no Rossio, o largo monumental pode fazer a surpresa de oferecer uma festa de máscaras ibéricas, comidas e danças por todos os lados, mas nunca a cena de um médico ensanguentado no chão do Café Nicola, esfaqueado por algum garoto que em seguida lhe roubou a bicicleta e foi embora.

Isto aqui é Lisboa, ó pá. Zero de deslumbramento. As escolas de Portugal acabaram de ser avaliadas em trigésimo lugar num ranking de 38 sistemas educacionais europeus, há muita coisa a ser feita, mas o bom disto aqui é que se vive em paz com os pequenos valores da existência. Zero de sobressaltos. A delícia antiga de se ir ali à esquina e, na ordem natural da felicidade das coisas, voltar sem que a polícia lhe tenha metido uma bala perdida nas costas.

Agora, por exemplo, você está na ladeira do Príncipe Real e basta pôr os pés na faixa de pedestres para que os carros parem até você chegar do outro lado. Aí é só começar a descer a rua por uma calçada de pedras portuguesas, todas postas em seus lugares, nenhuma solta e chamando os pés para um tropeção que pode para sempre lhe estuporar os artelhos e desgraçar a sobrevivência.

Não está acontecendo nada de muito notável, Lisboa está linda, mas não se faz aqui o registro de qualquer grande marco a se exaltar na revolução civilizatória moderna. É apenas uma cidade que tem se descoberto feliz consigo mesma.

Lisboa está coberta dos caminhos simples, verdadeiros yellow-brick-roads para se levar a vida com leveza, essa carência carioca, e num deles você desce o Bairro Alto, atravessa o Largo Luís de Camões, pega a Rua Alecrim e, ao final, apesar de todas as modernidades da Rua Nova do Carvalho, é possível encontrar ainda de pé as tascas da tradição gastronômica. Tudo convive sem conflito. Ao contrário do Rio, onde toda semana fecham uma mesa na memória do paladar e tiram da boca do cidadão um gosto familiar, em Lisboa é possível sentar num tamborete do quase botequim Sol e Pesca para comer as conservas que há séculos apetecem ao apetite local. Ninguém mais sabe ao certo o que é antigo e o que é moderno. As sardinhas continuam nas latas, o azeite continua de oliva, mas o estilo de tudo isso agora vem embrulhado em papéis do mais fino design.

Isto aqui é Lisboa, ó pá, e isto não é o anúncio de que o mundo está sendo reinventado a partir de suas oito colinas. Os políticos corruptos também estão, como os ratos de sua corja internacional, nas capas do “Expresso” e do “Público”. Mas na vida real do dia a dia a cidade encontrou um jeito delicado de lustrar os seus casarões magníficos, parecidos com os que todo mês desabam na Lapa carioca e, ao mesmo tempo em que se orgulha deles, reinventa suas funções. Não há mais loja de roupa, mas de “conceito”, e portuguesa de bigode era a vovozinha. Agora as garotas são todas “gira”, o termo local para traduzir o “cool”.

A sensação em alguns momentos é que você vai sair da Rua Augusta, tomar uma ginja no canto da Praça da Figueira e quando dobrar em direção ao Largo dos Intendentes vai dar na verdade nos Arcos da Lapa. Mas é só impressão. As ruas são limpas, os garçons servem às mesas com presteza, os telhados são os mais bonitos do mundo e as praças estão sempre tomadas por senhoras que descansam ou jovens, no Quiosque do Refresco, animados por doses de capilé. Tagarelam, paqueram, o de sempre. Ninguém aporrinha o próximo.

O Cais do Sodré, por exemplo, está basicamente o mesmo de sete anos atrás. Mas se você prestar bem a atenção, andar para a direita e entrar no Mercado da Ribeira, lá sobrevive o comércio tradicional das barracas dos tripeiros, convivendo com os stands da nova culinária portuguesa, tudo redesenhado sob o patrocínio da revista “Time Out” — e é impossível ao carioca não pensar que um dia, sem precisar ir tão longe, poderia estar assim, curtindo a vida em paz, comprando suas flores, gastando pouco, beliscando o que quisesse, na Cadeg de Benfica. Depois, sem entrar em pânico, passaria pela Barreira do Vasco e chegaria em casa para contar aos que ficaram como foi bom.

Ao carioca-da-semana-passada, um dos períodos mais tristes da vida da cidade, foi preciso ir até Lisboa para recolher histórias de não acontecimentos, comer um bacalhau ao sossego e ter a sensação inenarrável de que não corre o risco de ser assassinado na próxima esquina — e em Lisboa esses sonhos, essas pataniscas simples, parecem cada vez mais fáceis de se realizarem. A cidade se pacificou com suas tradições, entendeu feliz que um bom jeito de avançar é o da refazenda das suas guarirobas. Ao invés de gourmet, os pastéis de Belém procuram resgatar a receita original. E se em algum momento a cidade tentou esquecer Amália Rodrigues, por causa de suas relações com Salazar, Lisboa agora, em mais um arroubo de orgulho pelas suas referências, está cercada de motoristas de táxi com os carros sintonizados na recente Rádio Amália, um chorrilho de 24 horas de fados da grande cantora.

Na chegada ao Galeão, o carioca-da-semana-passada foi cercado pela notória turbamulta de taxistas. Sonhou que uma Rádio Elizete Cardoso iniciava o processo de pacificação geral e convocava a cidade a guardar suas facas.
 Joaquim Ferreira dos Santos, O GLOBO, 28/MAI/2015,




AMBIENTE, DESFLORESTAÇÃO E EXTINÇÃO EM MASSA


A humanidade encontra-se perante um processo de extinção massiva da vidana Terra, podendo o ser humano também desaparecer. Os interessados podem consultar várias notícias das quais cito http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2015/06/humanidade-esta-provocando-sexta-extincao-em-massa-da-terra-diz-estudo.html e http://www.noticiasaominuto.com/mundo/408748/mundo-esta-iniciar-6-extincao-em-massa-homem-pode-desaparecer

O ser humano tem contribuído para isso com a desflorestação e com as alterações climáticas devido à poluição e a outros desmazelos com o AMBIENTE.

Acerca da desflorestação, devemos ter consciência de que a floresta nos tem merecido pouca atenção, sendo considerada como simples processo natural desde o seu aparecimento até à sua destruição pelos incêndios que surgem por descuido ou intenção criminosa na época estival. Não surge por planeamento, não é cuidadosamente mantida e sustentada, a não ser em casos muito excepcionais como algumas matas nacionais.

Quanto aos fogos florestais, já aqui foi referido por diversas vezes o desleixo na sua prevenção e a incapacidade no combate oportuno e rápido, quando ainda basta um copo de água ou um pequeno balde para extinguir o foco inicial.

Há poucos meses um jovem amigo disse que estava a preparar uma tese de mestrado, em que defendia a detecção de fogos, por uma rede de detectores de calor instalados em postes elevados, colocados em locais adequados da região, por forma que a chama de um fósforo seja detectada e rigorosamente localizada por três detectores que comunicam instantaneamente a um centro regional, o qual envia imediatamente uma pequena equipa com material para o apagar.

Mas, em vez desta solução ao alcance da tecnologia existente, e de baixo custo, os nossos inteligentes, movidos por interesses por vezes suspeitos, resolveram gastar milhões em helicópteros que cedo mostraram a sua falta de qualidade e eficiência. http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/anpc/protecao-civil-sem-helicopteros-kamov.

Mas a destruição da qualidade ambiental não assenta apenas neste factor, pois em viagem pouco extensa pelas zonas industriais, principalmente da faixa litoral, onde são mais abundantes, deparamos com espessas nuvens de fumo a sair de chaminés de fábricas. E, para além dos fumos há outros perigos para a a saúde do ambiente e das pessoas, como foi constatado na zona de Alverca há poucos meses. http://www.portugues.rfi.fr/geral/20141114-linha-direta

Mas governantes e industriais apenas pensam na contabilidade dos lucros e desprezam os eventuais efeitos nocivos no ambiente. Nada acontece por acaso e elas cá se fazem cá se pagam. E como esta moléstia da ambição do lucro por qualquer forma, não está localizada, antes é generalizada pelo Planeta e, daí, que o resultado esteja a concretizar-se deforma angustiante para quem se preocupa com os vindouros. Certamente o perigo pode ser minorado através de medidas eficazes em todo o Mundo. Haverá uma ONU que seja capaz de enfrentar o problema?

DEZ LIÇÕES DE VIDA DO PAPA FRANCISCO


10 lições de vida

Toda a pessoa realmente válida define regras e valores pelos quais norteia cada momento da sua vida. Do Papa Francisco é conhecido o seu decálogo, as suas 10 lições orientadoras dos seus passos. Resumidamente, são:

1. VIAJE LEVE PELA VIDA
2. DÊ IMPORTÂNCIA AOS VALORES
3. CULTIVE AS RELAÇÕES PESSOAIS
4. FREQUENTE A RUA
5. SEJA COMUM E EXTRAORDINÁRIO
6. CULTIVE A DIFERENÇA
7. VALORIZE A FAMÍLIA
8. NÃO TENHA VERGONHA DE SER HUMILDE
9. RECONHEÇA SEUS DEFEITOS
10. CUIDE DE SEUS AMIGOS

Se desejar compreender o significado por ele dado a cada um destes dez mandamentos, abra o link
http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/07/10-licoes-de-vida-do-bpapa-franciscob.html

19/06/2015

Grécia - Arrogância e provocação - por Maria Fátima Bonifácio





Do Syriza, convertido em bezerro de ouro da esquerda, a Europa ainda só recebeu, até agora, arrogância e provocação, uma estratégia estúpida cuja pretensa esperteza não escapa a ninguém.
Sempre pensei que o Liberalismo assentava (entre outros) no pressuposto de que as pessoas, em última análise, eram racionais e responsáveis. Claro que as emoções, as paixões, a aflição, o desespero abrem grandes intervalos nesse meu suposto estado de fundamental lucidez. Mas, passadas essas perturbações, acabaríamos todos, ou quase todos, por ser chamados à razão. Não no sentido de reconhecer a Verdade, um exercício mais apropriado para filósofos ou teólogos, mas de se admitir a evidência dos factos duros e retirar deles, racionalmente, logicamente, as ilações que se impõem. A nossa vida, tal como a História, está cheia de momentos de irracionalidade. Mas, tudo somado, olhando retrospectivamente, prevalece em geral um padrão coerente e inteligível. E mesmo os disparates, no caso de indivíduos, e as tragédias, no caso da História, são em última análise susceptíveis de um escrutínio e explicação racionais.
Com excepções, contudo, como acontece nas situações radicalmente absurdas. A minha crença nos mencionados pressupostos do Liberalismo foi logo abalada durante o ominoso consulado de José Sócrates, quando Portugal se assemelhava a um automóvel a acelerar com toda a força contra um paredão. E mais abalada ficou quando acordámos para a realidade de que a Dívida privada (de empresas e particulares) superava a gigantesca Dívida Pública. Era "o tempo das duas casas e das três auto-estradas" (R. Ramos).
Se as três auto-estradas acabaram por ser levadas a crédito da irresponsabilidade do nosso governante, a culpa das duas casas foi, e continua a ser, atribuída à malícia dos Bancos e aos efeitos nefastos do euro, que graças aos baixos juros permitia viver folgadamente da dívida. Responsabilidade pessoal ? Não houve. Somos um país de crianças grandes inimputáveis. 
O Syriza justifica as suas fanfarronadas com os votos democráticos e soberanos que recebeu do povo grego (mais os 50 deputados que a absurda lei eleitoral oferece de borla ao partido mais votado). A crise humanitária pela qual a Grécia efectivamente está a passar, causada pelo tratamento draconiano que recebeu da Troika, foi precedida pelo predomínio incontestado de duas dinastias de políticos corruptos que durante décadas saquearam o país, acabando por obrigar a mendigar ajuda externa para evitar, por um fio, a bancarrota.
Ora, enquanto os Karamanlis (falecido em 1998) e os Papandreous arruinavam o país, os gregos colaboravam alegremente: poderiam ter corrido com eles com um voto tão democrático e soberano como deram agora ao Syriza, até votando massivamente nulo ou em branco se não entrevissem alternativa credível. Porém, nenhum grego estranhava os extraordinários privilégios de que gozava e de que nem os cidadãos das nações mais ricas da Europa usufruíam. Não só: em lado nenhum da Europa a evasão fiscal era tão sistemática e escandalosa, praticada de cima abaixo da escala social. Enquanto a fartura durou, toda a gente colaborou no saque do país e beneficiou dele, ao mesmo tempo que o enterrava descontraidamente.
A revolta e o fervor patriótico só irromperam quando, subitamente, os gregos se viram confrontados com a duríssima realidade. Não, os gregos não elegeram o Syriza por causa da Europa, do BCE ou da Troika, elegeram o Syriza porque este lhes prometeu ressuscitar o sonho de fadas em que se tinham habituado a viver, poupando-os à realidade e devolvendo-lhes a irresponsabilidade em que descansadamente viviam e dormiam. Pessoalmente, não me sinto inclinada a contribuir com os meus "cortes" e impostos para financiar a negligência e o desmazelo da Grécia.
Do Syriza, convertido em bezerro de ouro da esquerda, a Europa ainda só recebeu, até agora, arrogância e provocação, uma estratégia estúpida cuja pretensa esperteza não escapa a ninguém. A filáucia de Varoufakis, ministro grego das Finanças, destina-se a testar os limites da condescendência europeia; a dispensa da gravata pelo primeiro-ministro Tsipras não passa de uma demonstração infantil de irreverência e rebeldia; a aliança com um partido de direita anti-europeu foi mais um desafio desnecessário; o apoio manifestado à agressão criminosa da Rússia na Ucrânia ou é sincera e por isso lamentável, ou não passa de mais uma farronca pseudo-nacionalista que renega os deveres de um país-membro da NATO; a elevação do salário mínimo para 720 euros constitui uma afronta para os muitos e muitos europeus excluídos de uma tal benesse; a readmissão nos quadros da Função Pública de 600 (!) empregadas para limpar o ministério das Finanças inscreve-se na mesma política de esbanjamento que antes da Troika mantinha 27 jardineiros (!) entretidos a fingir que cuidavam de um jardim com um hectare. A listagem dos casos mais escandalosos pode ser lida no artigo de Sousa Tavares no Expresso de sábado, 31 de Janeiro (embora o colunista retire conclusões opostas às minhas).
Há quem veja no "caso grego" uma oportunidade para forçar a Europa a flexibilizar as suas regras e políticas. 
Mas a Grécia não quer uma mera flexibilização, quer, com 10 milhões de habitantes e os cofres vazios, ditar ela as regras e políticas de uma União que alberga cerca de 500 milhões de pessoas. Ocorre-me o ditado – entradas de leão, saídas de cão.
Esperemos apesar de tudo, por razões meramente humanitárias, que a Europa não queira, e possa não querer, transformar o caso grego numa "vacina" contra a veleidade de acreditar no Pai Natal. Não tardará que tenhamos a oportunidade de confirmar se ele afinal existe ou não realmente.
Há quem diga, como MST, que uma "capitulação" da Grécia forçada por Berlim detonaria na Europa uma onda de ódio anti-germânico e a ebulição das frustrações em relação a Bruxelas; e que neste caso se poderá antever a próxima dissolução da UE. Pode ser. É um facto que o ódio e a frustração já existem, mas não acredito que se agravassem. Mas, dada a despropositada arrogância de um país falido cujos principais problemas não começaram sequer a ser resolvidos apesar de dois resgates e um mais que generoso perdão de metade da Dívida; dadas as provocações com que o Syriza entendeu por bem desafiar aqueles de quem precisa, o problema, o dilacerante problema a que chegámos está em que desapareceu qualquer espaço para uma negociação em que ninguém perca a face. Graças ao gabado talento político de Tsipras, a Europa está colocada perante o dilema entre deixar cair a Grécia ou sofrer uma miserável humilhação. E neste segundo caso teríamos, não a tal onda de ódio, mas uma onda de reivindicações e exigências dos países em dificuldades que, a serem satisfeitas, igualmente preludiariam o fim da Europa num futuro muito próximo. No ponto em que o Syriza colocou as coisas, uma das partes terá fatalmente de capitular – ou a Grécia terá de sair da Europa pelo seu pé. Talvez a Rússia, a título de mais um passo na renovada Guerra Fria, lhe sirva de amparo.
Se a Europa se rendesse à chantagem, como se contornaria o precedente grego? O que justificaria a excepção de um tratamento privilegiado? Com o exemplo seminal de Péricles e da Democracia Ateniense? Mas Péricles e a Democracia Ateniense estão tão longe dos gregos e da Grécia actual como nós estamos dos Incas ou dos Astecas dizimados por Cortês e Pizarro. Mas ainda que o simbolismo tivesse cabimento, teríamos de concluir que os gregos não honraram a herança que receberam.
A UE, ao longo da sua formação, acumulou erros sobre erros. A perspectiva de uma federalização parece-me completamente utópica. Ignoro se há outras opções a explorar. O certo é que foi construída em comum, e em comum se deve reformar, se reforma tiver. O que não pode é alterar regras ao sabor de ultimatos vindos de alguém que, por ora, não passa de um aventureiro com pretensões e ambições absurdas, daquelas que escapam a um entendimento racional. Mas isto já é outro assunto.
Observador 1/2/2015

PARA REFLETIR





Esta foi a melhor e mais coerente entrevista que alguém já deu sobre o assunto.

Agora entendemos melhor porque este cardeal argentino foi escolhido para papa.
Ele tem ideias firmes e nunca foge (e nunca fugiu) de uma resposta polêmica.

O mundo se acostumou à hipocrisia da política que diz o que o povo quer ouvir e faz o que eles bem entendem.

Com este papa não é assim, como podemos ver nesta entrevista com um repórter COMUNISTA, antes de ser papa. 

A entrevista começou quando o jornalista, tentando embaraçar o Cardeal, perguntou-lhe o que ele pensava sobre a pobreza no mundo.

O cardeal respondeu:

" - Primeiro na Europa e agora nas Américas, alguns políticos têm se dedicado a endividar as pessoas, fazendo com que fiquem dependentes.

- E para quê? Para aumentar o seu poder. Eles são grandes especialistas em criação de pobreza e isso ninguém questiona. Eu me esforço para lutar contra esta pobreza.

- A pobreza tornou-se algo natural e isso é ruim. Minha tarefa é evitar o agravamento de tal condição. As ideologias que produzem a pobreza devem ser denunciadas. A educação é a grande solução para o problema.

- Devemos ensinar as pessoas como salvar sua alma, mas ensinar-lhes também a evitar a pobreza e a não permitir que o governo os conduza a esse estado lastimável "

Mathews ofendido pergunta: - O senhor culpa o governo?

" - Eu culpo os políticos que buscam seus próprios interesses. Você e seus amigos são socialistas. Vocês (socialistas) e suas políticas, são a causa de 70 anos de miséria, e são culpados de levar muitos países à beira do colapso. Vocês acreditam na redistribuição, que é uma das razões para a pobreza. Vocês querem nacionalizar o universo para poder controlar todas as atividades humanas. Vocês destroem o incentivo do homem, até mesmo para cuidar de sua família, o que é um crime contra a natureza e contra Deus. Esta vossa ideologia cria mais pobres do que todas as empresas que vocês classificam de diabólicas".

Replica Mathews: - Eu nunca tinha ouvido nada parecido de um cardeal.

" - As pessoas dominadas pelos socialistas precisam saber não têm que ser pobres"

Ataca Mathews: - E a América Latina? O senhor quer negar o progresso conseguido?

"O império da dependência foi criado na Venezuela por Hugo Chávez, com falsas promessas e mentindo para que se ajoelhem diante de seu governo. Dando peixe ao povo, sem lhes permitir pescar. Se na América Latina alguém aprende a pescar é punido e seus peixes são confiscados pelos socialistas. A liberdade é castigada.

- Você fala de progresso e eu falo de pobreza. Temo pela América Latina. Toda a região está controlada por um bloco de regimes socialistas, como Cuba, Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela, Nicarágua. Quem vai salvá-los (a América Latina) dessa tirania?"

Acusa Mathews: - O senhor é um capitalista.

" - Se pensarmos que o capital é necessário para construir fábricas, escolas, hospitais, igrejas, talvez eu seja capitalista. Você se opõe a este raciocínio?"

- Claro que não, mas o senhor não acha que o capital é retirado do povo pelas corporações abusivas?

- "Não, eu acho que as pessoas, através de suas escolhas econômicas, devem decidir que parte do seu capital vai para esses projetos. O uso do capital deve ser voluntário. Só quando os políticos se apropriam (confiscam) esse capital para construir obras públicas e para alimentar a burocracia é que surge um problema grave. O capital investido voluntariamente é legítimo, mas o que é investido com base na coerção é ilegítimo ".

- "Suas idéias são radicais", diz o jornalista.

- "Não. Há anos Khrushchev advertiu: "Não devemos esperar que os americanos abracem o comunismo, mas podemos ajudar os seus líderes com injeções de socialismo, até que, ao acordar, eles percebam que abraçaram o comunismo". Isto está acontecendo agora mesmo no antigo bastião da liberdade. Como os EUA poderão salvar a América Latina, se eles próprios se tornarem escravos de seu governo? "

Mathews diz: - "Eu não consigo digerir (aceitar) tal pensamento".

O cardeal respondeu: - "Você está muito irritado porque a verdade pode ser dolorosa. Vocês (os socialistas) criaram o estado de bem-estar que consiste apenas em atender às necessidades dos pobres, pobres esses que foram criados por vocês mesmos, com a vossa política. O estado interventor retira da sociedade, a sua responsabilidade. Graças ao estado assistencialista, as famílias deixam de cumprir seus deveres para obterem o seu bem-estar, incluindo as igrejas. As pessoas já não praticam mais a caridade e vêem os pobres como um problema de governo.Para a igreja já não há pobres a ajudar, porque foram empobrecidos  permanentemente e agora são propriedade dos políticos. E algo que me irrita profundamente, é o fato dos meios de comunicação observarem o problema sem conseguir analisar o que o causa. O povo empobrece e logo em seguida, vota em quem os afundou na pobreza ".


"O socialismo dura até terminar o dinheiro dos outros" Margareth Thatcher - saudosa ex primeira ministra britânica.